terça-feira, 18 de novembro de 2014

Gálatas 3,28

A Igreja Anglicana aprovou na segunda-feira a possibilidade de ordenar mulheres bispas. Já podiam ser ordenadas em cinco países da Comunhão Anglicana, mas não em Inglaterra. Tenho pena de os católicos não estarem à frente nisto.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Marquês de Fronteira e ligações aos jesuítas


Morreu há dias o Marquês de Fronteira, Fernando Mascarenhas (deixa ver… foi no dia 12 de novembro), que se opôs à ditadura - “marquês vermelho” - e foi mecenas da cultura nos tempos democráticos.

E lembrei-me disto porquê? Não sei da fé do marquês, embora se diga que o funeral teve missa, mas lembro-me de ter lido algures que os Marqueses de Fronteira apoiaram o Padre Carlos João Rademaker (1828-1885), que foi o principal impulsionador da restauração da Companhia de Jesus em Portugal. E julgo que por causa disso, há cerca de uma década, uma edição dos “Monita Secreta” foi apresentada no Palácio dos Marqueses de Fronteira.

O livro “Monita Secreta” (“Instruções secretas”) são umas falsas instruções da cúpula dos jesuítas, escritas por um polaco dissidente dos jesuítas, no princípio do séc. XVII. Há quem diga que os “Monita Secreta” estão na origem de toda a literatura conspiracionista. E não digo mais, caso contrário, ainda levo o leitor a engrossar as fileiras dos que acreditam nos conteúdos do livro. Aliás, nem devia ter falado nisto.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Óscar Afonso: "Pensamento económico do Papa Francisco"

No "i" de hoje. É mais pertinente esta análise dos que as inflamações por causa de afirmações isoladas do Papa. Mesmo que inteiras.

Jesus farto


Do "Inimigo Público" de hoje. O resto da "notícia" não a reproduzo. Demasiado mau gusto. (E talvez com isto leve algum leitor a procurar a prosa satírica).

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A confraria

Ouvi hoje na TSF que a Confraria do Pudim do Abade de Priscos quer que o Papa coma esta sobremesa. E pelos vistos, já falaram com um eclesiástico qualquer que tem uns contactos lá em Roma.

Há tempos, estava na moda entrar no Guinness com este tipo de coisas (a maior feijoada, a maior chouriça, o maior grelhador de não-sei-o-quê), agora parece que a moda é pedir publicidade ao Papa. Mesmo que ele não a dê, haverá sempre um jornalista por perto para noticiar a coisa.

E outro aspeto: não é impressionante a profusão de confrarias gastronómicas? E não é paradoxal que quando diminui a presença em atos litúrgicos e em procissões, as confrarias usem uma vestes, umas bandeiras,uns ritos e umas procissões paralitúrgicas? É muito fácil perder a dimensão do ridículo. E ainda mais em grupo.

Como Marx - um dos irmãos, não o Karl - eu era capaz de pertencer somente a uma confraria. A dos que não querem pertencer a nenhuma.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Mais uma grande novidade sobre Jesus. Ai, desculpem, não é

Jesus casou com Maria Madalena, teve dois filhos e tentaram assassiná-lo aos 20 anos (julgo que já depois dos filhos nascidos, tendo em conta os modos de vida da época). Vem num manuscrito que encontraram na British Library. Ler aqui.

Ainda há dias, um investigador russo ou ucraniano dizia que era impossível Jesus ter existido. Será que alguém pode pôr os três investigadores, o eslavo, o canadiano e o israelo-canadiano, em contacto?

A novidade, agora, está sem dúvida na tentativa de assassinato. O resto não é novidade, pois não Dan Brown? Ups, a tentativa de assassinato, antes da cruz, também está nos evangelhos.

Bento Domingues: "Este Papa é incorrigível"


Texto de Bento Domingues no "Público" de ontem.

domingo, 9 de novembro de 2014

“Senhor, ilumina-o ou elimina-o”

Conheço a oração, “Senhor, ilumina-o ou elimina-o”, as acusações de ser “comunista” e de usar os métodos do “prec” na reforma da cúria, de abusar da noção de hierarquia das verdades e de estar a perder, por palavras, gestos e atitudes, a tradicional dignidade de um “verdadeiro” Santo Padre. Há quem discuta a legitimidade da sua eleição e não só.

Bento Domingues
Público, 09-11-2014

O Muro de Berlim caiu, mas nem um cristão ajudou com uma martelada?

Pedaço do Muro de Berlim em Fátima

Ainda não li muito da imprensa de hoje (passei os olhos por todo o "Público" e "DN", ambos em papel), mas, do que li e vi, noto uma ausência gritante nos textos sobre a queda do Muro de Berlim, que se deu há 25 anos. Nada se fala do Solidariedade na Polónia, que realmente foi o motor que desencadeou o fim da Guerra Fria, muito menos de João Paulo II, e igualmente nada dos cristãos que em cidades da RDA como Leipzig se vinham organizando em favor da liberdade política. Parece que o fator religioso nada teve a ver com o fim de um regime confessionalmente ateu. Daí a minha interrogação brechtiana no título. (Voltarei aqui se entretanto as notícias impressas me desmentirem.)

sábado, 8 de novembro de 2014

A possibilidade de estar perto da fé segundo Ian McEwan

"Acreditar no amor sem limites é o mais perto que algum dia estarei da fé"


Ian McEwan no DN de hoje. Um bocadinho aqui.
Ian McEwan com a questão de Deus já por cá andou.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Tolerância católica

O sínodo sobre a família com poucas famílias lá dentro trouxe ao de cima o que sempre existiu na grande família que é Igreja, mas ultimamente estava mais wojtylaratzingerianamente abafado: duas grandes tendências, que geralmente os observadores dizem ser a dos progressistas e a dos conservadores. (Também há quem diga que são os católicos do Reino e os católicos da Comunhão. Ler aqui. Ou os católicos de Milão e os católicos de Roma, aqui.) Eu ia a dizer, na sequência disto: Não podem tolerar-se? Mas é claro que se toleram. E por isso todos são católicos. Apesar de tudo. E por causa de tudo.

A saúde de João Paulo II

Uma vez, a superiora de uma congregação disse a João Paulo II:
- Estou muito preocupada com a saúde de Sua Santidade.
João Paulo II respondeu:
- Eu também.
- Está preocupado com a sua saúde?!
- Não, com a minha santidade.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ética escandinava

No "Correio da Manhã" de há dias, no "Radar" de João Vaz, vinha isto:

Mais uma prova da existência de Deus

"Já a pescada arrepiada e anzolada é a prova da existência de Deus",
diz Miguel Esteves Cardoso na crónica de hoje no "Público".

Nulidades rápidas


JN de 06 de novembro de 2014. O despedimento foi na Argentina. Quanto à rapidez, facilidade e barateza do processo é simples: copiem o divórcio na hora português. Poderia ser "nulidade na hora". Acontece que não é aqui que reside o problema. Mesmo que todos as declarações de nulidade fossem rápidas, baratas e fácis, continuaria a haver muitos católicos recasados que não põem a questão da nulidade do primeiro casamento.

Ou mais

Aprender a amar-se a si mesmo é tarefa para uma vida inteira.

José Tolentino Mendonça

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Certeza

É nas questões em que faltam certezas que se pode experimentar a certeza de uma amizade.

Matteo Ricci, Máxima 26 do seu "Tratado da Amizade"

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Anselmo Borges: "Os dias da interrogação"

Texto de Anselmo Borges no DN de sábado.


Qual é a constituição da razão, que inevitavelmente põe perguntas a que depois não sabe responder? Essas perguntas, diz Kant, têm a ver com a liberdade: somos livres ou estamos inseridos na cadeia do determinismo causal?, com a imortalidade: tudo acaba com a morte ou continuamos para lá dela?, com Deus: há Deus ou Deus realmente não existe? Perguntas decisivas a que a razão científica não sabe responder. Ninguém pode gloriar-se de saber que Deus existe ou não existe e que haverá ou não vida futura; se alguém o souber, escreve, "esse é o homem que há muito procuro, porque todo o saber é comunicável e eu poderia participar nele".

Sobre aquilo que decisivamente nos interessa estamos praticamente na situação de sempre: nesses domínios, o saber no sentido científico estrito não avança. Mesmo sobre a morte o que é que sabemos? Ninguém sabe o que é morrer - lá está M. Heidegger: "A morte do outro revela-se como uma perda, mas sobretudo como a perda que experienciam os que ficam. A perda sofrida não lhes dá, porém, acesso à perda de ser enquanto tal que o moribundo "sofreu". Nós não experienciamos no sentido forte desta palavra o falecimento dos outros: quando muito, a única coisa que fazemos é "assistir" a ele." Por isso, ninguém sabe também o que é estar morto, nem sequer para o próprio morto. Depois, as palavras deslizam para o sem sentido, quando, perante o cadáver, dizemos, por exemplo: o meu pai está aqui morto, a minha mãe está aqui morta, o meu amigo está aqui morto, a minha amiga está aqui morta... De facto, o que falta é precisamente o sujeito: o pai, a mãe, o amigo, a amiga... Como não faz sentido dizer que os levamos à última morada, que os cremamos ou enterramos. Quem se atreveria a enterrar, a cremar o pai ou a mãe, o amigo, a amiga, o filho? E, quando vamos ao cemitério, que jogo de linguagem é esse que nos leva ao atrevimento de dizer que os vamos visitar? De facto, nos cemitérios, com excepção dos vivos que lá vão, não há ninguém - o Evangelho é cru: ali, só há "ossos e podridão". Assim, pergunta-se: o que há lá então, para que a violação de um cemitério seja um crime hediondo? O que lá há é uma interrogação in-finita, para a qual não há resposta adequada: O que é o Homem? O que é o ser humano?

Eu sei que hoje não é de bom tom falar ou escrever sobre estes temas. Mas não é a morte, facto perfeitamente natural, que se torna espaço de e da cultura? Sem a morte e a sua consciência, haveria religiões e filosofias?

O sintoma mais claro da crise deste nosso tempo - uma crise financeira, social, económica, religiosa, moral - é a morte tornada tabu, o único tabu. Para ser o que é, a nossa sociedade não teve apenas de fazer da morte tabu, ela é a primeira na história a colocar o seu fundamento sobre o tabu da morte: disso não se fala e vive-se como se ela não existisse.

O que se passou é que, como analisou Max Weber, na distinção entre Zweckrationalität (racionalidade referente a um fim condicionado, no quadro de imperativos hipotéticos) e Wertrationalität (racionalidade referente a valores morais categóricos), a primeira assumiu o primado e até o monopólio. A razão instrumental ou racionalidade técnica substituiu a razão prática enquanto racionalidade moral. Assim, como escreve o filósofo Luc Ferry, o nosso mundo é completamente dominado pela concorrência total, "o benchmarking, competição das empresas entre si, mas também dos países, das culturas, das universidades, dos laboratórios, etc. A história já não avança animada pela representação de uma finalidade, pelo projecto de construir um mundo melhor, animada por objectivos como a liberdade, a felicidade e o progresso. Já não avançamos referidos à representação de uma finalidade, mas apenas impelidos pela obrigação absoluta de fazer crescer os meios de que dispomos. Daí, a liquidação progressiva do sentido que caracteriza a vida política moderna". É preciso produzir, competir, inovar sempre, cada vez mais, mas, agora, "sem saber porquê nem para quê, em virtude de que finalidade", de tal modo que o homem moderno se tornou "o funcionário da técnica", como já tinha reflectido M. Heidegger.

Compreende-se que nesta sociedade, no quadro da objectivação total e humanamente "des-finalizada", a morte não tenha lugar. Daí, a desumanização crescente, sendo, pois, necessário voltar ao pensamento sadio, não mórbido, da morte. Esse pensamento não impede de viver. Pelo contrário, pela consciência do limite, leva a viver intensamente o milagre do existir, a cada instante, é ele também que remete para a ética, distinguindo entre bem e mal, justo e injusto, o que verdadeiramente vale e o que realmente não vale, e ensina a fraternidade: somos mortais, logo, somos irmãos. E abre à Transcendência, pelo menos enquanto questão.

Neste sentido, apesar do tabu, os dias 1 e 2, hoje e amanhã, dias dos santos e dos finados, são os dias da interrogação essencial.

Nik Wallenda Conquers Chicago Skyline

Saltei à sorte para o minuto 3:00 e lá estava, uns segundos a seguir, o habitual agradecimento.

Reverberação

Em cada instante pode reconhecer-se a reverberação de uma Presença: os passos de Deus.

JTM, "A mística do instante"

domingo, 2 de novembro de 2014

Os católicos recasados que podem comungar são os...


...que vivem como irmãos (espero que não como Caim e Abel). Capa do DN de hoje, 2 de novembro.

Bento Domingues: "Eu já não acredito no Papa Francisco (2)"


Texto de Bento Domingues no "Público" de hoje.

Causam-me sempre bastante tristeza os desabafos das pessoas que deixam de “ser católicas”...

Bento Domigues no "Público" de hoje:

Causam-me sempre bastante tristeza os desabafos das pessoas que deixam de “ser católicas” devido a certas posições da hierarquia eclesiástica. Nessas alturas, lembro-me da reacção do Padre Chenu, quando, em meados do século passado, louvaram a sua “obediência”, em vez de revolta contra as condenações romanas a que fora submetido. Escreveu um texto para dizer que não se tratava de obediência: foi e é a fé sobrenatural em Jesus Cristo, que recebi na Igreja, mas que não é propriedade de nenhuma instituição humana ou religiosa, que me sustenta.

Máxima 50 de Matteo Ricci

Os amigos são superiores aos pais pois estes podem não se amar, aqueles não. Quando os membros de uma mesma família não se amam, os laços de parentesco permanecem. Retirai o amor à amizade, e ela não terá mais razão de ser.

Matteo Ricci, máxima 50 do seu "Tratado da Amizade" 

sábado, 1 de novembro de 2014

A propósito da parábola do mau samaritano contada por P.e Portocarrero de Almada

O papel do burro está claramente subestimado na história do P.e Gonçalo Portocarrero de Almada


O P.e Portocarrero de Almada, hoje, no “Observador” (ver link na entrada anterior)  conta a “parábola do mau samaritano” para criticar quem defende mudança na abordagem da Igreja a certos problemas. As questões subjacentes são as dos católicos recasados e dos homossexuais católicos.
Na parábola, o homem espancado pelos salteadores é, para essa nova moral, a imagem dos fiéis que, por se encontrarem em situação canónica irregular, não se podem confessar, nem receber a comunhão. Também eles parecem vítimas de uma Igreja que os não compreende e abandona, embora tenham sido eles que, pelas suas opções e acções, se colocaram à margem, não da Igreja, que continua a acolhê-los, mas da vida sacramental, de que se auto-excluíram.
Tem alguma piada e faz umas boas observações no início do texto, mas, quanto a mim, falha o alvo. Aliás, as suas observações e paradoxos mais depressa se aplicam ao seu texto do que às situações que pretende atingir.

Segundo P.e Portocarrero, “dever-se-ia elogiar o sacerdote e o levita que, em nome da nova moral, se abstiveram de intervir, e criticar a acção da Igreja, representada na censurável atitude do samaritano”.

Ora, Jesus conta a história do samaritano precisamente para dizer que a compaixão não veio do lado institucional, legal, ortodoxo – o sacerdote e o levita – mas do herético, transgressor, semi-estrangeiro, heterodoxo, que era o do samaritano. E é precisamente a história contada por Jesus na versão de Lucas que podemos invocar para pedir as mudanças na Igreja, que, por muito evangélica que seja, tem sempre poder religioso, tem sempre sacerdotes e levitas zelosos do Direito Canónico.

A parábola do bom samaritano, que ele reconta como se a suposta nova moral a lesse como “parábola do mau samaritano”, é precisamente uma crítica à intransigência do poder religioso (sacerdotes e levitas, duas profissões do sagrado), ao legalismo, à formalidade, à lei sobre o espírito. O que Jesus ensina é que o cumprimento da lei é fazer o bem, amar, cuidar do próximo. E por isso é que alguns tidos por perdidos nos hão de preceder no Reino dos Céus.

No fundo, como não poderia deixar de ser, o P.e Portocarrero concorda com a precedência do amor. E afirma:
É que Cristo não veio ao mundo para revogar a lei – sendo Deus, como poderia revogar a sua lei?! – mas para lhe dar pleno cumprimento, nomeadamente através de mais um preceito: o mandamento novo da caridade. O único amor que nos salva, precisamente porque nos cura.
Mas o final da parábola original não é contado nem parafraseado. É que é muito mais direto e percetível, tanto no tempo de Jesus (porque omite o padre atual que quem faz a pergunta é um “doutor da lei”, um especialista em Escritura e em legalidades?) como hoje:
"Qual destes três achas que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?" "Aquele que teve misericórdia dele", respondeu o doutor da lei. Jesus disse-lhe: "Vai e faz o mesmo" (Lc 10...).

P.e Portocarrero de Almada: "Parábola do mau samaritano"

A parábola do mau samaritano, no "Observador"

Semana dos Seminários

Parece que se dizem agnósticos (ou o mais conhecido deles). Mas a simbologia católica (sim, mais católica do que simplesmente protestante ou...