domingo, 31 de julho de 2011

Uma oração de Inácio de Loiola

Hoje é dia de Inácio de Loiola. Morreu há 455 anos. Lembrei-o aqui há um ano. Hoje recordo uma oração de Inácio, ou pelo menos a ele atribuída, que deve ser conhecida de, no mínimo, 70 mil portugueses, os que integram o escutismo católico.


Senhor Jesus,
Ensinai-me a ser generoso,
A servir-vos como Vós o mereceis.
A dar-me sem medida,
A combater sem cuidar das feridas,
A trabalhar sem procurar descanso.
A gastar-me sem esperar outra recompensa,
Senão saber que faço a Vossa vontade Santa,
Ámen.

Anselmo Borges: Os múltiplos interesses do ser humano

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (aqui), domingo, já que o texto de ontem, como explica hoje a edição em papel, é de Adriano Moreira (que volta a ser hoje publicado, por via das dúvidas, em vez de nos próximos dias, como estava previsto).


Max Scheler (1874-1928)

Na sua Sociologia do Saber, Max Scheler mostra como na base do esforço pelo conhecimento está um tríplice interesse e três impulsos: o interesse e impulso em ordem à salvação, que se expressa no saber teológico; o impulso metafísico, que se concretiza na filosofia enquanto dirigida para o conhecimento da essência das coisas; o impulso de domínio, que põe em marcha o saber científico-técnico, sobretudo a partir da modernidade e, mais concretamente, do positivismo.
Na mesma linha - sirvo-me da síntese de Adela Cortina -, também Karl-Otto Apel e sobretudo Jürgen Habermas sublinharam os três interesses do conhecimento, que são constitutivos da espécie humana. Concebemos a realidade a partir de três perspectivas, que têm na base três orientações fundamentais: o interesse técnico, que corresponde ao interesse scheleriano de domínio e se traduz nas ciências empírico-analíticas; o interesse prático, que procede do impulso para o saber de formação e se refere ao sentido no âmbito das ciências histórico-hermenêuticas; o interesse emancipatório, que, num mundo secularizado, é a tradução do impulso scheleriano para a salvação.
Ao contrário do que pensou Augusto Comte nomeadamente, estas três formas, impulsos e interesses de saber não se encontram numa ordem de sucessão, de tal modo que acabariam por convergir e reduzir-se ao interesse científico-técnico. Pelo contrário, sendo constitutivos e vitais para o Homem, têm de conviver.
Que é que isto quer dizer? Para que o ser humano se mantenha autêntico e íntegro, nenhum destes impulsos pode ser anulado. Não é possível reduzir o interesse humano ao domínio científico-técnico: é preciso ter em conta e englobar todos os saberes de forma integrada e orientar-se para a formação do ser humano segundo um paradigma ecuménico e holístico.
Afinal, a realidade é infinitamente complexa, e a ciência no sentido das chamadas ciências exactas ou naturais não tem meio de captá-la na sua ultimidade e totalidade. Precisamos de múltiplos meios para melhor nos aproximarmos dela, sem nunca a esgotarmos. Aproximamo-nos dela pelas ciências, pelas artes, pelas literaturas, pelas filosofias, pelas religiões.
O ser humano leva consigo, constitutiva e decisivamente, a questão do sentido e do sentido último, e a ciência e a técnica não têm competência nem possibilidade de dar resposta. E as técnicas são para quem? Com que finalidade? E como deve o ser humano comportar-se e agir para ser real e autenticamente humano? E como há-de viver em comum numa sociedade pacífica e promotora da dignidade humana na polis global? Lá está Terêncio: "Homo sum, nihil humanum a me alienum puto" (sou Homem, nada do que é humano o considero estranho a mim).
Foi, pois, gratificante para mim, na apresentação do livro "Ciência e Mito", do químico António Amorim da Costa, poder sublinhar o apelo do autor para que, sem afectar a especialização, se não cave o fosso entre as "duas culturas": Ciências e Humanidades. "A História, a Filosofia e Sociologia das Ciências são hoje componentes fortes da formação académica, consagradas nos respectivos currículos disciplinares, oferecidas pelas mais prestigiadas Instituições de Ensino Superior. O seu enraizamento em algumas delas conta já com várias décadas de existência e está bem patente na própria estrutura em que a Instituição se organiza."
E apresenta o caso da formação académica oferecida pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) ou pelo California Institute of Technology (CALTECH), nos Estados Unidos, duas das mais prestigiadas instituições científicas em todo o mundo. "Tratando-se de duas Instituições criadas de raiz para a formação académica de cariz tecnológico, como o próprio nome indica, ambas tomaram para base da sua organização duas unidades básicas: por um lado, as Escolas ou Divisões de formação no domínio dos estudos dos fenómenos naturais e, por outro, a Escola ou Divisão das Ciências Sociais e Humanas."

Bento Domingues: O outro somos nós

Texto de Bento Domingues no "Público" de hoje, antes de ir de férias. Regressa em Setembro.

Bem-aventurados os alucinados



Bem-aventurados os alucinados, porque deles será o real
bem -aventurados os desiludidos, porque neles o pensamento se fará humano
bem-aventurados os corpos que morrem, porque deles será a sensualidade do invisível
bem-aventurados os desesperados, porque deles será a restante esperança
bem-aventurados sejas tu, ó Terra, porque será a explosão
que levará o vivo a todo o Universo.


Maria Gabriela Llansol (1931-2008)

sábado, 30 de julho de 2011

Sermão para mim próprio: Como comprar sem dinheiro

"Milagre dos pães e dos peixes", por  Giovanni Lanfranco (1582-1647)

Sobre as leituras que hoje e amanhã muitos ouvem na missa (um convite de Isaías, umas perguntas de Paulo, uns pães a mais de Jesus).

1. Alguém afirmou que a Bíblia é mais uma questão de alimento do que de oração. Isso até se verifica pela contagem de palavras. Pode depender do termo que se procura e da tradução disponível, mas um manual bíblico diz-me que numa determinada versão da Bíblia, a palavra “pão” aparece 361 vezes, enquanto a palavra “oração” (ainda que sem contar com variantes como “orar” e “rezar”) surge 114 vezes. É natural que se pense mais naquilo que é incerto e que pode faltar todos os dias. E o paraíso é um grande banquete.

Logo por aqui se vê a genialidade de Jesus. Inserido na grande tradição judaica que tinha numa refeição, a da Páscoa, a grande celebração anual, escolheu o pão partilhado como gesto que o re-apresenta (volta a tornar presente) aos seres humanos. A sua dávida, impagável, é a melhor concretização do apelo de Isaías (1.ª leitura): “Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei”.

2. Parece que Isaías fala (é o Senhor que fala por Isaías) para o tempo de crise: “Vós que não tendes dinheiro…” Num tempo em que tudo é mercadoria, tudo tem valor económico, até o corpo é entendido como autopropriedade, temos dificuldade em aceitar a gratuidade. Se alguém nos dá algo grátis, ficamos a pensar que pode haver algum interesse inconfessado escondido. É essa a prática comercial, que só oferece algo em vista de negócios maiores no futuro. Experimente oferecer algo a um amigo não muito próximo, fora da família, por exemplo. Faça-lhe essa surpresa. Ele não evitará um “porquê?”.

Mas Isaías insiste (é o Senhor que insiste por Isaías) na compra sem dinheiro. Onde já ouvimos isto? Não é a compra sem dinheiro, a crédito, o "consumo hoje e pago amanhã", tanto individual como coletivo, que está na origem da crise portuguesa? Será que o espírito de Isaías está na origem da crise? Na realidade, poderíamos parafrasear o profeta (parafrasear o Senhor) e dizer: “Vós que tendes o dinheiro todo do mundo, vinde, comprai e comei sem gastar um cêntimo. O que alimenta e sacia não custa dinheiro. Ouvi-me com atenção e comereis o que é bom; saboreareis manjares suculentos”.

Toda a gente sabe que o dinheiro não traz felicidade, mas está sempre disposto a dar-lhe uma nova oportunidade. Isaías realça (é o Senhor que realça por Isaías) que os bens maiores (a amizade, o amor, a paz de consciência, o sentido da vida, a vida em Deus, para só nomear alguns) não dependem das finanças de cada um, mas da adesão à “aliança eterna”.

3. São Paulo, inseparável do “amor de Deus em Cristo Jesus”, desafiava sem temor os seus inimigos: a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada. Destes perigos, não havendo em Portugal perseguição religiosa, nem, apesar de tudo, carestia generalizada, talvez só se façam sentir dois deles: alguma tribulação, mais mental do que física, e angústia. Angústia dos que estão sós. Dos que perderam o gosto pela vida. Dos que não têm horizontes de sentido. Dos que perderam o emprego e se sentem inúteis. Dos desorientados. Dos idosos abandonados pela família. Contra a angústia, o que temos feito? A angústia surge também pelo consumo coisas que “não alimentam” e pelo gasto de energias em coisas que “não saciam” (1.ª leitura). Ora, há dias, dizia em Fátima, um responsável da Igreja que muitos fiéis “têm dificuldade em rezar nas celebrações” (aqui). Será possível? O antídoto da angústia não faz efeito?

4. O evangelho fala do milagre da divisão dos pães e dos peixes. Se é milagre, não tem explicação. Mas não é milagre só pelo facto extraordinário. Na Bíblia, esse é o aspecto secundário do milagre. O principal é a mensagem. E aí, além da ideia de que a partilha e a divisão é que multiplicam os bens (coisa que um economista poderá sempre objectar que não se aplica aos bens transacionáveis; mas aqui a economia é a da salvação), realça-se que o pão e os peixes são especialmente saciantes quando se elevam ao Céu e se recita a bênção. O pão tem nome de pessoa.

5. Cristo é o nosso pão. Não podemos pedi-lo senão para agora. Porque ele está sempre aí, à porta da nossa alma, na qual quer entrar, mas não viola o consentimento. Se consentimos que ele entre, ele entra; assim que não o queremos mais, imediatamente se vai. (...) O pão é-nos necessário. Somos seres que retiram continuamente a sua energia do exterior, porque à medida que a recebemos esgotamo-la nos nossos esforços. Se a nossa energia não é quotidianamente renovada, ficamos sem forças e incapazes de movimento.
Simone Weil (1909-1943), excerto da explicação do Pai-Nosso, in “Espera de Deus”, Assírio & Alvim, pág. 219.

6. Tu és, ó Cristo, o Reino dos céus
e a terra prometida aos mansos,
tu o prado do paraíso, a sala do divino banquete,
tu o tálamo das núpcias, mesa aberta a todos,
tu o pão da vida, tu a bebida inaudita,
tu ao mesmo tempo a talha para a água e a água da vida,
tu também a lâmpada inextinguível para cada um dos santos,
tu o hábito e a coroa, e aquele que distribui as coroas,
tu a alegria e o repouso, tu as delícias e a glória,
tu a alegria, tu a felicidade, ó meu Deus!

Excerto de uma oração de Simão, o Novo Teólogo, que viveu em Tessalónica (actual Selânik ou Salonika, na Grécia), no séc. XI.

Liderança



Quando assumires responsabilidades de liderança, lembra-te que, mesmo depois de teres realizado com êxito a tarefa confiada, deves continuar a considerar-te servo inútil e a reconhecer que ainda tens muitas falhas e defeitos. E não te surpreendas nem aborreças quando a reacção aos teus esforços for apenas incompreensão e ingratidão.


F. X. Nguyen van Thuan (1928-2002)

Adriano Moreira: As seitas e o globalismo



Nota às 17h40 de sábado, 30 de Julho: Este texto que esteve on-line no sítio do DN como sendo de Anselmo Borges é de Adriano Moreira. Na edição em papel saiu como sendo de Anselmo Borges. É um erro que amanhã será corrigido na edição impressa. De qualquer forma, tratando-se de um texto em que entra a temática religiosa, vou mantê-lo neste blogue. 


É comum reservar o conceito de seita, com dificuldades de fixação geralmente aceites, para fenómenos relacionados com as religiões, e não faltam exemplos recentes que suscitam não apenas discussão doutrinal, também intervenções legislativas, algumas tendo maior relação com o direito criminal do que com os valores das crenças. Foi por exemplo o caso do suicídio colectivo dos novecentos e catorze membros do Templo do Povo na Guiana, ou o atentado com gás sarin no metro de Tóquio, tudo pelos fins do século passado, acontecimentos tão violentos que chegou a ser teoricamente defendido o direito de perseguição.


Acontece que o corte do poder político com a transcendência, apoiado na civilização técnica em que se traduz crescentemente a vida quotidiana, não dispensa sistemas delineados pela razão, ou pela imaginação de regra fazendo com que os valores instrumentais secundarizem no final os valores humanos.


A questão em relação ao reivindicado cientismo que serve de base ao corte com a transcendência é que o sistema, por vezes intitulado de transcendental, para organizar as sociedades, é criação em vista de objectivos, não é descoberta ou compreensão da realidade. Mas se a tradição já longa relacionou as seitas com as religiões, o facto é que o cientismo, o positivismo, as sociedades laicas, a lidar com os seus próprios valores racionalmente organizados em função dos objectivos, com supremacia dos valores instrumentais, também se envolvem frequentemente de dogmatismo, de uma proclamada respeitabilidade laica que é a sua forma de sacralização, numa atitude que é uma espécie de preparação para a ofensiva demolidora das divergências, todas consideradas perigos mortais.


Os totalitarismos que desencadearam a guerra mundial foram exemplos de uma violência sem precedentes finalmente considerados equivalentes a seitas em relação à civilização ocidental que pretenderam submeter a rupturas definitivas com as raízes e os futuros perseguidos.


De novo, os efeitos consequenciais da deriva para um globalismo sem governança, envoltos por isso num relativismo com equivalência em várias crises maiores da própria história, e que esqueceram os normativos da organização internacional depois do fim da guerra, incluindo esta a guerra fria, estão a despertar ferozes sectarismos de sinal contrário ao que de regra caracterizava as seitas. Enquanto estas, especialmente as referidas a religiões organizadas, se identificaram pelo corte com o sistema histórico e tradicional, agora trata-se de um regresso cego a um passado imaginado de suspensão transitória. A rutura é com a evolução, não é sequer com organizações finalmente estruturadas, é com versões do consequencialismo lido com reprovação nos sinais de mudança, repudiadas em nome de um passado nem sequer vivido, apenas lido em versões discutíveis de manifestos, em proclamações que se apoiam em dificuldades de vida para sonharem repor um imaginado modelo ideologicamente fundamentado. Não se trata de segurança humana que é uma referência cimeira da organização ocidental em mudança, e que sirva de referência à correcção de enganos de percurso, trata-se de confiar na violência pura, isto é, que atinge indiscriminadamente inocentes, que é a síntese do terrorismo, na convicção irracional de que dessa violência caótica nasceria a vontade ou submissão de voltar às impostas raízes.


O tremendo caso da Noruega, que enlutou sobretudo a Europa inteira e o Ocidente, é mais uma sangrenta demonstração de que não são apenas as chamadas grandes potências, como os EUA, ou a Espanha, ou o Japão, é antes todo o Ocidente que é chamado a enfrentar a explosão de seitas da época relativista em que entrou, com a gravidade acrescida de se multiplicarem os sinais de propagação desses terrorismos, organizados em células autónomas, um modelo recebido do multiculturalismo especificamente invocado no caso presente, e que exige uma resposta estratégica de defesa que seja solidária e ética.

Ele disse isto?

Tudo o que esteja relacionado com moral remete, logicamente e em última análise, para a teologia, nunca para fundamentos seculares.


Max Horkheimer (1895-1973)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

29 de Julho de 1644. Morre o Papa Urbano VIII


O Papa Urbano VIII, nascido em 1568 e eleito em 1623, morreu no dia 29 de Julho de 1644. Para além de patrono das artes e reformador das missões, foi amigo de Galileu, pelo menos durante certo tempo, até a sua pessoa ser ridicularizada numa personagem de um livro de Galileu. No seu tempo a Inquisição acaba por proibir Galileu de divulgar o heliocentrismo.

Pio XII mandou falsificar documentos para salvar judeus


Novos dados mostram a acção directa de Pio XII, mesmo que sem documentos, para salvar judeus da deportação para os campos de concentração.


Se já era sabido que "o Papa ordenou que os judeus de Roma recebessem hospitalidade nas propriedades da Igreja e nas casas católicas, suspendendo as normas claustrais de modo que os homens pudessem ser admitidos nos conventos e as mulheres nos mosteiros de toda a Europa", mesmo não havendo documentos, porque ordens deste tipo, em regime de guerra, é melhor ficarem pela oralidade. Agora há a novidade de o Vaticano ter "falsificado secretamente as certidões de baptismo para permitir que muitos judeus emigrassem como católicos". Li aqui.


Penso que o historiador que faz novas relevações, Michael Hesemann, é o mesmo que entrevista Georg Ratzinger (aqui).

Creio na Igreja

"Dibujo" de Hermano Cortés, no dia 25 de Julho (este e outros aqui).

Alguém que traduza e publique


Livro sobre amizades entre grandes vultos espirituais: Francisco e Clara de Assis, Teresa de Ávila e João da Cruz, Joana de Chantal e Francisco de Sales, Adrienne von Speyr e Hans Urs von Balthasar, pelo menos estes, pelo que li nas recensões espanholas. E não sei se entre João Paulo II e Wanda Poltawska.

Historia de Amistades Espirituales
Maria Chiapa e Franco Imcampo
San Pablo

quinta-feira, 28 de julho de 2011

28 de Julho. Morre Vivaldi em 1741 e Bach em 1750

O compositor veneziano Antonio Vivaldi, padre católico de cabelos ruivos, morreu em Viena, no dia 28 de Julho de 1741, aos 63 anos. O compositor alemão João Sebastião Bach, protestante de farta peruca branca e numerosa prole, morreu em Leipzig, passados nove anos. Tinha 65 anos.


A melhor maneira de os recordar é ouvir a sua música. Curiosamente, a do padre fala mais de temas profanos, como a série de concertos “Quatro Estações”. Enquanto a do leigo, ao incluir peças como a “Missa em si menor” e a “Paixão segundo São Mateus”, é do que há de humanamente mais elevado sobre a fé cristã.


Como hoje estou particularmente sonolento, aqui fica, de Bach, a "Cantata do Café" (BWV 211).

Freira, profissão de vanguarda

No JN de hoje, depois do padre agredido, a irmã que evangeliza pelo facebook.

Padre, profissão de risco

No "Jornal de Notícias" de hoje: Padre, profissão de risco. Post seguinte (daqui a pouco): freira, profissão de vanguarda.

Forma

A fé não se perde. Ela simplesmente deixa de dar forma à vida.
George Bernanos (1888-1948)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

27 de Julho de 1549. Francisco Xavier chega ao Japão


Francisco Xavier (1506–1552), missionário jesuíta sob a coroa portuguesa, chegou ao Japão no dia 27 de Julho de 1549, mas só pôde por os pês na terra no dia 15 de Agosto, no porto de Kagoshima. O grande missionário do Oriente chegou ao Japão com outros três jesuítas e o japonês Anjiro, que conhecera em Malaca, dois anos antes, e servia de tradutor.

Anjiro (ou Anjiró) foi o primeiro japonês a tornar-se cristão, tendo recebido o nome de Paulo de Santa Fé. Xavier escreveria mais tarde sobre a génese do plano nipónico: “Eu perguntei a [Anjiro] se os japoneses se tornariam cristãos , caso eu fosse com ele ao seu país. E ele respondeu-me que eles não se tornariam cristãos de imediato, mas primeiro fariam algumas perguntas para saberem o que eu sei. Acima de tudo, quereriam ver se a minha vida corresponde aos meus eninamentos”.

Comungar só de joelhos?


Quando se recuperou a missa em latim, segundo o ritual pré-Vaticano II, houve quem dissesse que não havia nada de estranho nisso, pois com multidões plurinacionais o uso da língua oficial da Igreja seria melhor para dar a ideia de catolicidade. Mas logo se tornou claro que a recuperação do latim (talvez dê jeito aos chineses, que andam a aprendê-lo) trazia agarrados outros ritos, paramentos velhos, rendas, luvas, arminhos e outras coisas que não deviam sair dos museus paroquiais e diocesanos. Não é conjuntural, é estrutural, como gostam de dizer os políticos.

Sinais há de que regressa também a teologia do sacrifício. A missa é mais sangue derramado no altar para aplacar Deus do que refeição partilhada em festa. O padre, de costas para o povo, é mais sacerdote e hierarca do que pastor e companheiro.

(Curiosamente, invoca-se que o padre age na vez de Cristo para dizer que uma mulher não tem tal similitude para ser ordenada – não estou a brincar, este é um dos argumentos contra a ordenação –, mas já não se defende que se se trata de oferecer um sacrifício na vez da Igreja, segundo o rito antigo, a mulher teria mais similitude para com a "mãe e mestra", que é a ecclesia, do que o homem...)

Regressa também a linguagem dos anjos e demónios, os sacrifícios feitos pelas crianças, a pureza ritual. Um dia destes será restaurado o limbo para as crianças que morrerem sem baptismo. Voltará a exigência de a mulher entrar na Igreja de véu. E já faltará pouco para se exigir o jejum integral antes da Eucaristia, se é que não é já exigido na chamada missa tridentina.

Agora vem o cardeal António Cañizares, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, dizer que “é necessário para toda a Igreja que a comunhão se faça de joelhos” (li aqui). Na realidade, o Papa só dá a Comunhão a cristãos de joelhos.

Cada vez é mais necessário recordar a frase mais repetida na Bíblia (talvez daqui a pouco também a não possamos ler livremente): “Quero misericórdia e não sacrifícios”.

Wittgenstein resume Pascal

Versão de Wittgenstein do argumento da aposta de Pascal:


"Vá. acredita! Mal não faz".


Li em "Nada a temer" (ed. Quetzal), de Julian Barnes, o livro autobiográfico focado nas questões (ou talvez apenas na questão) da  morte e de Deus. O agnóstico Barnes, que já foi ateu, é uma pessoa honesta. O livro, já o disse (aqui), é imperdível.


Argumento de Pascal aqui.

Ela disse isto?

Juliana de Norwich 


Muito antes de João Paulo I, Leonardo Boff e diversas teólogas:
Deus é tão verdadeiramente mãe como pai.
Juliana de Norwich (1342-1413)

"Amarás o teu próximo, pois ele é como tu"

Dizem os que percebem de hebraico que o mandamento que diz "ama o teu próximo como a ti mesmo" estaria mais bem traduzido se dissesse "amarás o teu próximo, pois ele é como tu". É maravilhosa esta formulação. Ele é como eu como? Mau? Bom? Tem dias?


O "pois ele é com tu" pode levar a pensar que:
a) O outro é tão bom como eu.
b) O outro é tão mau como eu.
c) Eu sou tão bom como o outro.
d) Eu sou tão mau como o outro.
...


A lista poderia continuar com quaisquer outros adjectivos, embora me pareça que o par bom/mau seja o mais universal e mais imediatamente aplicável.


Se o incentivador "pois ele é como tu" está na boca de Deus, quer dizer que diante dele não vale a pena estar em bicos de pés. Tão iguais que nós somos todos.

terça-feira, 26 de julho de 2011

26 de Julho de 1875. Nasce o poeta espanhol Antonio Machado


O espanhol Antonio Machado, poeta modernista da Geração de 98, nasceu no dia 26 de Julho de 1875, em Sevilha. E morreu no dia 22 de Fevereiro de 1939, em França, onde se refugiara na sequência da guerra civil. É autor de um dos versos mais citados: “Caminhante, não há caminho, / faz-se caminho ao andar”.

Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.

Filantropia telescópica

Timothy Radcliffe, na página 159 de "Ser Cristão para quê?", fala da "filantropia telescópica", uma expressão de Charles Dickens. Refere-se aos que amam quem está longe, geralmente esquecendo-se de quem está perto. A Sra. Jellyby, diz Dickens, estava marcada por "filantropia telescópica, porque não conseguia ver nada mais perto do que África".
Já no séc. XII, Aelredo de Rivaulx advertira os religiosos do seu mosteiro contra "um amor que, dirigindo-se a todos, não alcança ninguém".
Acrescento que já João notava a contradição de que diz que ama a Deus, que não vê, e não ama o próximo, que vê. Precisamente por isso, penso eu. A filantropia a olho nu é a mais difícil.

Livro sobre os livros sobre o livro dos livros


Documentos da Igreja sobre a Bíblia
Herculano Alves
2240 páginas
Difusora Bíblica / Gráfica de Coimbra


Impressa em papel bíblia, esta obra de mais de duas mil páginas, em segunda edição, “corrigida e aumentada” (a primeira, com 438 páginas, era de 1990), reúne os documentos da Igreja sobre o “livro dos livros”, desde o Cânon de Muratori até à exortação pós-sinodal “Verbum Domini”, de Bento XVI, de 30 de Setembro de 2010.

O Cânon de Muratori é um manuscrito do séc. VII, mas cujo conteúdo remonta ao séc. II, descoberto pelo padre italiano Ludovico Muratori na Biblioteca Ambrosiana de Milão, em 1740. É um documento fundamental porque contém a lista dos livros do Novo Testamento (excepto a 1.ª e 2.ª Cartas de Pedro, que deveriam estar referidas numa parte do documento desaparecida) e um breve documentário de cada um dos livros mencionados. Revela que a formação do cânon do Novo Testamento, isto é, a lista dos livros considerados inspirados, logo, Palavra de Deus, é realmente muito antiga, dos tempos imediatamente pós-apostólicos.

Antes de entrar propriamente na transcrição dos documentos, precedidos por uma breve introdução a cada um deles, o volume apresenta um “percurso histórico” de quase uma centena de páginas sobre “a Bíblia na Igreja”.

Herculano Alves, nesta obra imprescindível para quem estuda a Bíblia e para quem a lê e medita, mostra que a afirmação de que a Igreja Católica deu pouco importância à Bíblia deixando “o livro do Cristianismo nas mãos dos protestantes e das seitas” em parte é verdadeira. Ou seja, é verdade que os protestantes, durante séculos, conheceram mais a Bíblia do que os católicos, mas não é verdade que a Igreja lhe tenha dado pouca importância, em detrimento dos dogmas e dos sacramentos. Só que as boas intenções por vezes têm resultados péssimos. Afirma o autor: “Estes documentos provam, antes de mais, que a Igreja se preocupou com a Bíblia e com a maneira de a interpretar. Daí a razão de muitos destes documentos terem a pretensão de defender a Bíblia de falsas interpretações. Foi também esse cuidado despendido na «defesa» da Bíblia que, tendo embora óptimas intenções, teve o seu reverso da medalha: provocou um falso temor da Bíblia, o medo de a interpretar mal e, consequentemente, o abandono da mesma”.

No final do volume apresentam-se um glossário que é um minidicionário técnico da Bíblia e vários índices que ajudam o leitor a orientar-se nestes dois mil anos de história: Índice cronológico dos documentos, índice dos títulos originais dos documentos, índice dos documentos da Pontifícia Comissão Bíblica, e Índice geral.

A disponibilização destes 352 documentos sobre a Bíblia, em português, não pode deixar de ser saudada como um grande feito editorial. É realmente um livro sobre os livros (2000 anos de documentos) sobre o livro dos livros (a biblioteca que é a Bíblia).

Consciência

Tudo o que acontece contra a consciência é pecado.


Tomás de Aquino 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

25 de Julho de 1492. Morre o Papa que tentou fazer uma transfusão de sangue



O Papa Inocêncio VIII morreu no dia 25 de Julho de 1492, aos 60 anos. Foi Papa durante oito anos.


No seu pontificado, Fernando e Isabel expulsaram os mouros da Península Ibérica e receberam o título de "majestades católicas". Torquemada foi confirmado como grande inquisidor de Espanha, enquanto na Alemanha a caça às bruxas tornou-se particularmente activa.


Segundo o cronista Stefano Infessura, este Papa recebeu no leito de morte o sangue de três crianças, num acto  que constituiu a primeira tentativa de fazer uma transferência sanguínea. Quer o Papa quer as crianças de dez anos morreram no decorrer da tentativa.

Entrevista de Bento Domingues na "Pública"

A entrevista de Bento Domingues na “Pública” de ontem (omiti cinco páginas de todos). Ainda não a li toda. Fiquei mais pela parte da pastorícia, a primeira. Ainda não entrei da pastoral. Há mais etnografia do que teologia nas primeiras páginas. Claro que admiro o pensamento, a pessoa, as palavras de Bento Domingues. Mas não é nada simpática a exclamação sobre o fundador dos jesuítas (quarta página). Continuo a leitura um dia destes.











Maçon terrorista

Anders Behring Breivik 

O sofrimento da Noruega é maior do que qualquer tentativa de explicação. O silêncio é a melhor atitude para com vítimas, familiares e nação. Mas confesso que me deixou algo incomodado que entre os qualificativos do principal suspeito, o norueguês Anders Behring Breivik, surgisse o de “cristão”.

Os jornais e a televisão (não ouvi rádio nem procurei na www) dizem sempre que se trata de um fundamentalista cristão. Mas não dizem que cristão é. Católico? Luterano? Calvinista? De uma seita? Eu gostava de saber, embora ainda não me tenha dado ao trabalho de procurar activamente. A informação que vem ao encontro de mim sem grande esforço pessoal (jornais e tv) não esclarecem. Mas ficam sempre as ideias do “cristão fundamentalista” e do “cristão terrorista”.

Não penso, como aquela senhora que dizia que “se é ditadura, não é de esquerda, ponto final” (ver aqui  a partir de 5:40; e também dizia, reparem na maravilha da expressão, “utensilagem mental”, logo no início do vídeo), que se é cristão não pode ser fundamentalista. Na verdade, conheço alguns cristãos fundamentalistas, mas sei que nunca pegariam numa arma para matar pessoas. Há-os, ainda que eu gostasse que não houvesse nem veja bem como se pode ser terrorista e acreditar no Evangelho sem ser por patologia.

Por outro lado, por vezes, mas nem sempre, a imprensa tem omitido que o terrorista norueguês pertenceu à maçonaria.

Ferreira Fernandes escreve no DN de hoje:
Norueguês, cristão, conservador, de extrema-direita, tudo qualificativos a que se pode acrescentar outro, terrorista, fazendo um todo que não é por estar junto (por exemplo, em terrorista cristão) pode ofender os noruegueses, cristãos, conservadores ou de extrema-direita que não são terroristas. Sim, há terroristas cristãos e Anders Behring Breivik é a prova. Ler tudo aqui.
Por uma questão de honestidade, devia estar logo no início “maçon”. E o trecho acima poderia terminar desta forma sem faltar à verdade: “Sim, há terroristas maçons e Anders Behring Breivik é a prova”. Mas não seria tão mediático.

É isto o progresso

A justiça de hoje é o amor de ontem. O amor de hoje é a justiça de amanhã.


Étienne-Michel Gillet (1758-1792)

sábado, 23 de julho de 2011

O meu irmão Papa. Georg Ratzinger fala de Bento XVI


Será lançado em Setembro, em Munique, Alemanha, o livro “Meu irmão, o Papa”, com histórias contadas por alguém que conhece Bento XVI há muito e de perto: o seu irmão mais velho, Georg Ratzinger.


O livro de 256 páginas apresenta as memórias do irmão do Papa, narradas ao escritor e historiador Michael Hesemann, da infância ao presente, passando pela ordenação presbiteral conjunta, no dia 29 de Junho de 1951. Será publicado na Alemanha pela editora Herbig.


Li aqui. Editora alemã aqui.


Georg Ratzinger e Michael Hesemann

Anselmo Borges: Religião na responsabilidade

Helmut Schmidt

Texto do professor e padre Anselmo Borges, que, sabendo alemão, ao contrário da generalidade dos intelectuais portugueses, que já nem francês sabem, abre-nos as portas para outras ideias. No DN deste sábado (aqui). 

A caminho dos 93 anos, é um dos últimos sobreviventes daquela plêiade de gigantes políticos europeus que reconstruíram a Europa, souberam lidar com a Guerra Fria, contribuíram, sem tibieza, para o desanuviamento mundial, estabeleceram as bases da União Europeia. Quando a política não era mera Realpolitik, pois ainda se apoiava em saber e se movia por ideais. Foi ministro da Defesa, da Economia e das Finanças, chanceler federal. A sua influência continua hoje forte através do seu semanário DIE ZEIT. Falo de Helmut Schmidt.
Acaba de publicar Religion in der Verantwortung. Gefährdungen des Friedens im Zeitalter der Globalisierung (Religião na responsabilidade. Perigos da paz no tempo da globalização), reunião de textos de conferências em várias partes do mundo. Ficam aí algumas ideias marcantes.
1. Várias vezes se confessa cristão, embora cristão "distanciado". Apesar das dificuldades doutrinais e das desilusões, permanece na Igreja, porque ela "põe contrapesos à decadência moral na nossa sociedade e oferece apoio moral, que de outro modo se não tem".
2. A colega Marion Gräfin Dönhoff tinha razão: "Uma sociedade sem normas morais desfaz-se; uma liberdade desenfreada leva à brutalidade e à criminalidade. Todas as sociedades precisam de laços. Sem regras, sem tradição, sem consenso quanto a normas de comportamento, nenhuma comunidade subsiste." E acrescenta ele: "Não podemos viver em paz, sem os deveres e as virtudes desenvolvidos no cristianismo."
3. A existência humana não se deixa reduzir à satisfação das necessidades materiais. O ser humano precisa sobretudo de orientação para o sentido da sua vida, capaz de responder às "perguntas últimas". "Apesar do Iluminismo crescente desde há quatro séculos - e apesar do ateísmo comunista -, a necessidade metafísica de orientação por parte do Homem manteve-se viva." As religiões surgem precisamente desta exigência de orientação por uma verdade mais elevada.
4. O Estado deve ser religiosa e cosmovisionalmente neutro. Portanto, tem de salvaguardar e garantir os direitos fundamentais; quanto à salvaguarda e garantia dos valores fundamentais, aí aplica-se o princípio: tua res agitur, isso é assunto teu, "de cada um, de cada comunidade, da Igreja". As Igrejas com os seus valores participam no processo de formação da vontade política, mas "o Estado não pode garantir juridicamente convicções que as Igrejas não conseguem transmitir aos seus fiéis".
5. Tem muitas dúvidas quanto a uma política cristã. Mas procurou ser um político cristão, isto é, tentou, nas grandes tomadas de decisão, não esquecer a inspiração cristã. "Uma política sem consciência tende para o crime." Uma política não orientada pela razão, que não mede as consequências, os riscos e as chances, irresponsável perante a consciência e a História, é certamente "não cristã". Não deixou de rezar, concretamente o Pai-Nosso. Lembrou os dez mandamentos. Precisou da música coral da igreja, de um bom pastor (é luterano) ou bispo e do seu apoio pastoral. Aliás, o que hoje esperamos da Igreja é "cuidado e consolação, compaixão com os fracos e pobres, solidariedade com o nosso vizinho doente".
6. No tempo da globalização, é essencial a tolerância entre as Igrejas e entre as religiões - a tolerância positiva: respeito, conhecimento mútuo. Por isso, manifesta-se contrário às missões: converter outros, como se só a nossa religião fosse fonte de verdade e salvação.
Sabe por experiência própria, pois reúne responsáveis das diferentes religiões, que não estarão de acordo nas doutrinas, mas encontram consenso mínimo nas questões dos grandes interesses da Humanidade.
7. Princípio nuclear: o respeito pela dignidade inviolável de cada ser humano. O esquecimento de que o Homem não é para a economia, mas a economia para o Homem fez com que a especulação financeira desembocasse no "capitalismo de rapina". A par da Declaração Universal dos Direitos Humanos é preciso ensinar a Declaração Universal dos Deveres Humanos.

Raízes e asas

Duas coisas devem os filhos obter dos seus pais: raízes e asas.
Goethe (1749-1832)


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Diocese de Leiria-Fátima alerta contra previsões de fim do mundo

No DN de hoje. Tão insólito é o caso de alguns cristãos de Leiria (mas também deve haver destes noutros lados) com o medo do fim do mundo como é pedir a opinião de Moisés Espírito Santo. Está sempre pronto para meter uma farpa à Igreja católica. Coitados dos jornalistas que não conhecem mais ninguém a quem pedir uma análise ou um comentário.

Bento XVI na lotaria espanhola

Bento XVI dá a cara pela lotaria espanhola que anda à roda no dia 20 de Agosto. Enfim.

E se não encontro o desejo?



Se encontro dentro de mim um desejo que nenhuma experiência deste mundo pode satisfazer, a explicação mais plausível é que eu fui feito para um outro mundo.


C.S. Lewis (1898-1963)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

21 de Julho de 1858. Nasce o pintor Lovis Corinth

"Cristo vermelho" (1922), de Lovis Corinth

O pintor alemão Lovis Corinth nasceu no dia 21 de Julho de 1858 e morreu no dia 17 de Julho de 1925, quase a completar 67 anos.

Primeiro opôs-se ao expressionismo, mas depois deixou-se envolver por esta corrente estética, tornando-se um dos seus lídimos representantes. Pintou diversas cenas bíblicas. Um dos seus quadros “crísticos”, “Golgotha”, foi oferecido à igreja da sua terra natal, Tapiau (hoje Gvardeysk, no enclave russo no leste da Polónia), mas desapareceu durante a II Guerra Mundial.

Não acredito em Deus, mas sinto a Sua falta


Julian Barnes começa “Nada a temer” (Quetzal) assim:
“Não acredito em Deus, mas sinto a Sua falta. É o que digo quando o tema é aborda. Perguntei ao meu irmão, que ensinou Filosofia em Oxford, em Genebra e na Sorbonne, o que pensava desta afirmação, mas sem revelar que era minha. Ele respondeu com uma palavra: «Lamechiche».”
O livro, todas as revistas o dizem, é sobre a morte. Eu acrescento que é também sobre Deus. E sobre a ausência dele – outra variante do mesmo assunto. A expressão “romance que não se pode largar desde a primeira página”, de que tanto se abusa, foi feita para livros como este, segundo as minhas categorias. Mas são raros. Por outro lado, até na capa se diz que é um romance, mas estou a lê-lo mais como memórias e reflexões.

Julian Barnes

João Paulo II desvia volta à Polónia em bicicleta


Quando João XXIII morreu, o Giro, em Itália, foi interrompido. Na Polónia, a volta desvia-se para terminar na terra onde João Paulo II foi bispo. Notícia do "Record" de hoje.

Yves Congar. Ele disse isto?

Ratzinger e Congar
Amo a verdade como amo uma pessoa.
Yves Congar (1904-1995)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Dose tripla do Hermano Cortés

Já há algum tempo que não não trago para aqui o humor de Cortés, por vezes ácido, quase incómodo, mas sempre à procura da profundidade do Evangelho. Dose tripla, pois. Cartunes retirados daqui - dias 12, 13 e 14 de Julho.




Semana dos Seminários

Parece que se dizem agnósticos (ou o mais conhecido deles). Mas a simbologia católica (sim, mais católica do que simplesmente protestante ou...