sábado, 30 de abril de 2011

30 de Abril de 1883. Morre o pintor Manet

Édouard Manet morreu no dia 30 de Abril de 1883, em Paris, aos 51 anos. Fugindo de convenções, iniciou o impressionismo, sendo um dos fundadores da arte moderna. “Almoço na relva”, “O tocador de pífaro”, “Olímpia”, “Bar do Folies -Bergère” ou “A Execução de Maximiliano” são algumas das suas grandes obras.
Menos conhecidas, raras, pois são apenas duas, e menores, são as suas obras religiosas: “Cristo morto com os anjos”, de 1864, e “Jesus zombado pelos soldados”, do ano seguinte.

“Cristo morto com os anjos”, de 1864
(está no Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque)

“Jesus zombado pelos soldados”, de 1865
(está no Art Institute de Chicago)

Boas infografias sobre João Paulo II no DN de ontem

No DN de ontem (29 de Abril de 2011), duas páginas que valem principalmente pelas infografias. No início do texto principal há informações erradas. Até ao séc. VI, todos os papas são considerados santos, mas depois disso, que é basicamente toda a Idade Média, não. A grande maioria dos papas medievais não é santa. Daí que também o título principal induza em erro.


Fé e religião no Benfica - Braga



O jogo foi na quinta-feira, 28 de Abril, em Lisboa. O "Público" relatou assim o jogo (os negritos são meus): 
A equipa de Jesus garantiu o golo da vitória sobre o Sporting de Braga (2-1) da forma mais irrepreensível. E é também um caso raro de sucesso do cruzamento entre ciência e religião. Assim foi ontem. Fez no melhor pé esquerdo que habita o futebol nacional, o do paraguaio Cardozo, num lance que exige a ciência dos sábios - um livre directo com tudo estudado. Ele que falhou dois golos certos, atirou ao poste nessas duas ocasiões, uma delas deu o primeiro golo da noite a outra desesperou a Luz. Do outro lado mora a esperança, com o golo nascido e criado na cabeça de Vandinho.Tanto o Benfica como o Sp. Braga vivem da fé e da esperança, num trabalho religiosamente estudado. Foi Domingos que o disse na véspera. Quando se chega a uma meia-final europeia, os jogos resolvem-se nos pormenores. Deus está nos detalhes, já se sabe. E foi isso que ambas as equipas procuraram. Não descobriram deuses, mas Aimar e Vandinho, Cardozo e Hugo Viana mostraram-se maiores que os restantes e marcaram o jogo de ontem. A má notícia para os seus treinadores é que nem Aimar nem Vandinho vão jogar o segundo jogo, castigados pelo cartão amarelo.
Este excerto veio na edição em papel, no dia 29 de Abril, e pode ser lido aqui

Anselmo Borges: Beatificação de João Paulo II

Texto de Anselmo Borges no DN deste sábado:

Foi-me dado falar pessoalmente, no Vaticano, com o Papa João II. A impressão que me ficou foi a de um homem não propriamente afectivo, mas antes afirmativo e duro, ao contrário do cardeal Joseph Ratzinger, que me pareceu tímido e afável.
Se admirei João Paulo II? Admirei e admiro. Era um homem de convicções, corajoso, crente no Deus de Jesus; afirmou e reafirmou os Direitos Humanos; contribuiu para a queda do Muro de Berlim; escreveu uma grande encíclica sobre os direitos dos trabalhadores (Laborem exercens); perdoou àquele que quis assassiná-lo; reuniu em Assis os representantes das religiões mundiais para a oração; fez o possível para evitar a invasão do Iraque; foi um lutador incansável pelo que considerava ser a sua missão; viajou pelo mundo como mensageiro da Paz.
Foi dos homens mais populares do seu tempo. O mundo agradeceu-lhe, despedindo-se dele com milhões de pessoas no funeral. E o povo gritou que queria vê-lo rapidamente canonizado: "Santo subito."
Mas João Paulo II era apenas um homem, um homem do seu tempo, que vinha do leste e tinha uma certa visão da Igreja. Daí que não faltem vozes críticas quanto à sua actuação e, consequentemente, quanto à sua beatificação precipitada. Ele viveu grandes contradições, como, por exemplo, pediu perdão pelas culpas da Igreja ao longo da História ao mesmo tempo que continuou a condenar um grande número de teólogos, defendeu os Direitos Humanos para o mundo ao mesmo tempo que reprimiu quem dissentia das suas concepções doutrinais e teológicas. Pôs travão a horizontes abertos pelo Concílio Vaticano II, foi incapaz de rever algumas normas de ética sexual, opôs-se tenazmente a uma reflexão sobre a obrigatoriedade do celibato eclesiástico, recusou debater de modo sério o lugar da mulher na Igreja, pôs termo à teologia da libertação.
O facto é que a Igreja está numa crise profunda e muitos fiéis estão a abandoná-la ou encontram-se em autogestão da fé. Sobretudo, João Paulo II deixou uma herança dramática por causa do modo como terá lidado com os abusos de menores por parte do clero e com a figura perversa do fundador dos Legionários de Cristo, Marcial Maciel.
É normal que em todas as instituições e sociedades se honre e lembre figuras que se destacaram. Também na Igreja, desde os primórdios, se venerou a memória dos mártires, que deram a vida por Cristo, e, depois, dos "confessores", cristãos exemplares. Também por causa dos abusos, estabeleceram-se normas neste domínio e, em 1634, Urbano VIII reservou a canonização dos santos ao Bispo de Roma, sem que isso tenha significado o fim dos abusos.
A actual Congregação para as Causas dos Santos data de 1969, a partir de uma determinação de Paulo VI, que lhe concedeu autonomia, desligando-a da Congregação dos Ritos, existente desde 1588, com a dupla função de tratar do Culto e dos Santos.
Foi por Celso Alcaina que soube da plêiade de pessoas envolvidas numa canonização: uns 24 funcionários permanentes no Dicastério, 14 advogados de defesa, 2 promotores da fé (uma espécie de "advogados do diabo"), 20 cardeais, 10 relatores, 228 postuladores adscritos, 70 consultores, muitos peritos em vários assuntos, especialmente em Medicina, vários notários. Pode-se imaginar as somas de dinheiro que esta parafernália burocrática custa, percebendo-se então a discriminação em que ficam homens e mulheres verdadeiramente santos, pois levaram uma vida heróica, no cumprimento do dever e na entrega aos outros - pense-se no Padre Américo -, mas que não têm o suporte do poder financeiro, publicitário, político.
E tem de haver o "milagre" comprovativo de santidade. Mas pensar que Deus interrompe ou suspende as leis da natureza implica a ideia errada de que Ele está fora do mundo. Ora, Deus é mais íntimo à realidade do que ela mesma, Ele não está fora, mas dentro, como fundamento do milagre da existência do que há. Por isso, precisamente porque tudo é milagre - o milagre do existir -, não há "milagres".

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A escada de Wittgenstein



Este é o túmulo de Wittgenstein, que morreu há 60 anos, em Cambridge. A escada em miniatura é um objecto inusitado num túmulo. Mas pode-se dela depreender a ideia de a morte ser uma subida para algures. Ou pensar que o judeu Wittgenstein (baptizado no catolicismo) conhecia a escada de Jacob. 
Mas não é preciso conhecer muito da obra de Wittgenstein para saber que ele termina o seu livro mais conhecido, e único publicado em vida, o "Tractatus", com uma referência à escada:

As minhas proposições explicam-se do seguinte modo: quem me entende, por fim, reconhecê-las-á como absurdas, quando, graças a elas – por elas –, tiver subido para além delas. (É preciso, por assim dizer, deitar fora a escada depois de ter subido por ela.)
Deve-se ultrapassar essas proposições para ver o mundo correctamente. 
Sobre o que não se pode falar, deve-se calar.

Wittgenstein gostava de ter dedicado um livro a Deus.

29 de Abril de 1951. Morre Wittgenstein


Ludwig Wittgenstein nasceu em Viena, no dia 26 de Abril de 1889, e morreu em Cambridge, no dia 29 de Abril de 1951. Era filho de Karl, um industrial ligado ao aço, e Leopoldine. Ambos os pais tinham ascendência judaica, mas Leopoldine tornou-se católica e educou Ludwig e os seus outros sete filhos na fé católica.

Wittgenstein foi professor primário antes de abandonar a profissão devido a métodos violentos. Durante a I Guerra Mundial escreve o "Tratactus Logico-Philosophicus", publicado em 1921 e que tem muita influência no positivismo lógico (ou atomismo lógico). A obra preconiza um silêncio sobre aquilo de que não se pode falar. E não se pode falar daquilo que não se pode provar. Também chamou a isso o “místico”. Para alguns, como que o "Tractatus" defendia o ateísmo. Para outros, como que cerca uma ilha pelo lado de fora, sem nunca entrar nela.

Nas “Investigações Filosóficas”, publicadas postumamente em 1953, com a teoria dos “jogos de linguagem”, concebe usos plurais para a linguagem, incluindo a religiosa.

O "Tactatus" e as "Investigações" estão publicados em Portugal num mesmo volume da Fundação Calouste Gulbenkian.

João Paulo II: A vida que ninguém conhecia, diz a "Sábado"


Destaque a beatificação de João Paulo II na "Sábado" de ontem (28-04-2011). Tem (pelo menos) um erro. A canonização mais rápida não foi a de Francisco de Assis (1182-1226), mas a do contemporâneo e discípulo António de Lisboa (1195 ?-1231). Ambos foram canonizados por Gregório IX: S.to António, no dia 30 de Maio de 1232, menos de um ano após a morte do lisboeta/paduano, que aconteceu no dia 13 de Junho de 1231 (vinha no Guinness; não sei se ainda vem); S. Francisco, no dia 16 de Julho de 1228, menos de dois anos depois de ter morrido (3 de Outubro de 1226).








Afinal, Madonna não visitou o Opus Dei de Londres



Afinal Madonna não está interessada no Opus Dei, ao contrário do que havia dito o "Daily Mirror" e repetido o DN (ver aqui). A notícia era de 20 de Abril (em Portugal), mas provavelmente deveria ter sido publicada no primeiro dia do mês.
Un portavoz del Opus Dei en el Reino Unido ha desmentido que la cantante Madonna haya visitado algún centro de la institución en Londres o haya hablado con algún sacerdote, como informó el lunes el periódico ‘Daily Mirror’. Según la falsa noticia del diario londinense, la artista “siempre se ha sentido intrigada por el Opus Dei”.
El ‘Daily Mirror’ titulaba la noticia: “Madonna cambia la Kabbalah por el Opus Dei”. El bulo, firmado por Tom Bryant, decía que la cantante “ha empezado a explorar diferentes religiones” y “el viernes mantuvo una conversación informal con sacerdotes en la sede central del Opus Dei en Londres”. 
El periódico sensacionalista decía también que Madonna ha sido seguidora de ‘Kabbalah Centre’ durante los últimos quince años. Se trata de una organización que enseña los principios de la Cábala, una de las principales corrientes de la mística judía. Según la información, Madonna ha cortado toda relación con la entidad por un supuesto derroche de fondos de la entidad solidaria de la artista, ‘Raising Malawi’.
Notícia copiada daqui (Religión Confidencial).

Cordeiro, Lei, Verbo, Graça, Homem, Deus

"Cordeiro Pascal", c. 1660-70, de Josefa de Óbidos (1630 - 1684)
Óleo sobre tela, 88 x 116 cm, Museu Regional Évora

Gerado como Filho, imolado como cordeiro, sepultado como homem, ressuscitou dos mortos como Deus, sendo por natureza Deus e homem.

Ele é tudo: enquanto julga é lei; enquanto ensina, Verbo; enquanto salva, graça; enquanto padece, cordeiro; enquanto é sepultado, homem; enquanto ressuscita, Deus. Assim é o mistério da Páscoa tal como o descreve a Lei, tal como foi lido antes.

“– Vinde, portanto, vós, todas as nações da terra oprimidas pelo crime, e recebei a remissão dos pecados. Eu sou o vosso perdão, a Páscoa da salvação, o cordeiro por vós imolado, a água que vos purifica, a vossa vida, a vossa ressurreição, a vossa luz, a vossa salvação. Eu vos ressuscitarei e vos mostrarei o Pai que está nos Céus”.

Melitão de Sardes
(Bispo de Sardes, na actual Turquia, Melitão viveu no final do séc. II)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Contra e a favor da beatificação de João Paulo II

A favor e contra a beatificação de João Paulo II no "i". O primeiro texto, do prelado do Opus Dei, é de ontem (27-04-2011). O segundo, com base em declarações do movimento Nós Somos Igreja, é de hoje (28-04-2011).


Na hora das eleições, católicos e não católicos comportam-se da mesma forma. É de lamentar.

Católicos ou não católicos, os portugueses têm os mesmos comportamentos eleitorais. Não é ir ou não ir à missa que faz a diferença – pode-se concluir da entrevista ao sociólogo Mário Bacalhau. Os resultados deste inquérito devem ser interpretados pela Igreja. Como é que a fé católica pode não influenciar as opções políticas? Se não influência isso, é provável que não influencie nada. A entrevista vem na "Visão" desta quinta, 28 de Abril de 2011.

Que vos beijeis mais

A Páscoa no blogue Hemano Cortés (aqui).





Ideias fixas



Que seria de mim, que seria de nós, se não fossem três ou quatro ideias fixas? Repito: Não há santo, herói, génio ou pulha sem ideias fixas. Só os imbecis não têm.

Nelson Rodrigues (1912-1980)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

27 de Abril de 1992. Morre o músico Olivier Messiaen


Mais conhecido pelas obras em que usa e sobre o canto dos pássaros, Olivier Messiaen (Avinhão, 10 de Dezembro de 1908 – Clichy, 27 de Abril de 1992), foi um dos maiores compositores do século XX, destacando-se também na música sacra. Desde 1931 até à sua morte, foi o organista da Igreja da Trindade, em Paris.
Durante a II Guerra Mundial esteve preso, compondo no cativeiro o famoso “Quarteto para o fim dos tempos” (1940-41), para piano, violino, violoncelo e clarinete – um conjunto de instrumentos pouco habitual. Eram os que estavam disponíveis na prisão.

Algumas das suas obras sacras:
O sacrum convivium!”, motete de 1937
“Canções da Terra e do Céu”, de 1938
“Os Corpos gloriosos”, órgão, 1939
“Visiões do Amen”, para dois pianos, 1943
“Três pequenas liturgias da presença divina”, piano, vozes e orquestra, 1943-44
“Vinte olhares sobre o Menino Jesus”, piano, 1944
“Missa de Pentecostes”, 1950-51.

O Google fala latim. E o multibanco do Vaticano também

"Velivolum" de uma companhia que também é conhecida por "take another plane"


O Google agora também traduz do latim, aqui. Na realidade, só hoje disso tive notícia (li aqui), mas há vários meses que a tradução do latim funciona, bem como o motor de busca em língua latina.


A notícia em questão refere que no Vaticano há máquinas multibanco com instruções em latim. E lembra o dicionário promovido por Paulo VI com uma série de novas palavras e expressões latinas. Eis algumas:


Avião - Velivolum
Engarrafamento - Fluxus interclusio
Máquina de lavar a roupa - Machina linteorum lavatoria
Computador - Instrumentum computatorium
Batatas fritas - Globulus solaniamus 
Futebol - Pediludium

Philip Roth e Philip Guston

O escritor Philip Roth tinha ao lado da sua cadeira um álbum de pinturas de Philip Guston (1913-1980) - li num recente texto do "Ípsilon".
Eram amigos. Ambos judeus. Algumas das pinturas de Guston (canadiano, descendente de judeus da Ucrânia) têm conotações bíblicas. A escada da última pintura é de quem dá nome a este blogue.

"Source"

 "The Frame"

 "The Line"

"The Ladder"

João Paulo II: "Excluir os anciãos é como recusar o passado"


Ó Deus, ilumina-nos para percebermos a justa perspectiva para
considerar a existência no seu conjunto.
Esse horizonte é a eternidade, da qual a vida, em todas as suas idades,
é preparação significativa.
Faz-nos compreender o papel da velhice
no processo de amadurecimento progressivo
do ser humano a caminho da eternidade.
Ó Deus, ajuda-nos a acolher os anciãos,
que as situações da vida tornaram experientes e amadurecidos e,
portanto, capazes de nos dar conselhos
e ensinamentos preciosos.
Dispõe-nos a considerar que os anciãos são os guardiães da memória
colectiva e os intérpretes privilegiados dos ideais
e dos valores comuns que regem e guiam a convivência social.
Convence-nos de que excluir os anciãos é como recusar o passado,
onde mergulham as raízes do presente.
Abre-nos à interdependência e à solidariedade entre as gerações,
recordando-nos que cada um de nós precisa do outro e se enriquece
com os dons e os carismas de todos.

João Paulo II, na "Carta aos Anciãos", de 1999, quando tinha 79 anos

João Paulo II em suplemento do "Público"

O "Público" de hoje inclui um suplemento de 16 páginas sobre o Papa Wojtyla, uma actualização do que saiu em 2005.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Até os desportivos falam da beatificação de João Paulo II

Do "Record" de 24 de Abril de 2011

26 de Abril de 1986. Dá-se o acidente nuclear de Chernobil, que está na origem de um mito bíblico


O pior acidente nuclear da história deu-se no dia 26 de Abril de 1986, em Chernobil, actual Ucrânia, que na altura fazia parte da União Soviética. As autoridades comunistas esconderam o acidente e só o deram a conhecer quando a Suécia alertou para os elevados níveis de radioactividade que as suas estações estavam a medir.

Diz-se – e é esse o motivo para invocar este acidente nas minhas efemérides – que Chernobil quer dizer “Absinto” e que o acidente estava previsto neste versículo do Apocalipse: “Quando o terceiro anjo tocou a trombeta, caiu do céu uma grande estrela que ardia como uma tocha chamejante. Caiu sobre a terça parte dos rios e sobre as nascentes das águas. O nome da estrela é «Absinto»” (Ap 8,10s).

Acontece que Chernobil não quer dizer absinto. Não há nenhum dicionário que tal afirme (os conspiracionistas dizem o governo mandou retirar a palavra dos dicionários!). No final dos anos 90, uma série televisiva similar à dos “Ficheiros Secretos” (julgo que era um sucedâneo) fazia referência a este mito. Talvez fosse mesmo a origem da confusão.

Números do catolicismo em Portugal

Na "Notícias Magazine" (JN/DN) do último domingo:

Nos Ramos, Jesus foi de burro; na Páscoa, foi de Porsche

Notícia do "Jornal de Notícias" de 25 de Abril

Seis filmes que falam de ressurreição

No blogue Cine Espiritual, apresentam-se seis exemplos de como o cinema se inspirou na experiência pascal. Os filmes são:



O Grande Ditador, de Charles Chaplin
As Noites de Cabíria, de Federico Fellini
A Vida é Bela, de Roberto Benigni
As Crónicas de Nárnia, de Andrew Adamson
Cry the Belloved Country, de Darrell James Roodt (desconheço o título em português)
A Palavra, de Carl Theodor Dreyer.

Ler comentários e ver excertos dos filmes aqui.

Bento pede que acolham os refugiados, mas o Vaticano não acolhe os ciganos

Ciganos romenos

Na mensagem de Páscoa, o Papa referiu-se aos milhões de deslocados e refugiados que saem de “diversos países africanos e se vêem forçados a deixar os afectos dos seus entes mais queridos” e apelou à “solidariedade de todos”, ou seja, da Europa, no acolhimento aos refugiados (aqui).
Ao mesmo tempo, a polícia do Vaticano queria expulsar 150 ciganos romenos que se instalaram na Basílica de São Paulo Extramuros (território do Vaticano), concretamente em dois pavilhões que servem para arrumos e armazém.
Por estes dias de Páscoa decorriam negociações com a câmara de Roma, mas, enquanto isso, algumas mães que saíram à rua para fazer compras já não puderem entrar, sendo obrigadas a atirar a comida através das vigas (aqui).
Os casos não iguais, certamente, mas não deixa de haver uma estranha coincidência nesta situação. Incoerência? Olha para o que eu digo, mas não para o que eu faço? Sinal profético? Deus a escrever direito por linhas tortas?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Padre Júlio era um padre especial", texto de Manuel Alegre

Uma boa passagem para lembrar o 25 de Abril, que em Portugal é feriado devido à revolução de 1974 (breve explicação para quem lê este blogue a partir de Pindorama: a também chamada revolução dos cravos pôs fim a 48 anos de ditadura, uma ditadura que tanto contou com o apoio da Igreja católica como teve em alguns dos seus membros os mais destacados opositores), e em Itália é vivido como a “Festa della Liberazione”, comemorando a libertação da Itália, por expulsão dos alemães pela resistência italiana, em 1945, no final da II Guerra Mundial (Mussolini é executado pela resistência no dia 28 de Abril de 1945):
Padre Júlio era um padre especial, diga-se desde já. Vociferava contra os ricos e transformava cada homilia num inferno de caldeirões e almas a arder. Pregava contra os pecados da carne e do dinheiro, mas almoçava sempre em casas de boa mesa. Era visto de mãos dadas com senhoras devotas. Dizia mal da política e dos políticos, mas era membro do partido único, a União Nacional. Parecia um revolucionário, mas fazia frequentemente o elogio de Mussolini. Era um padre original. 
Quando Xavier lhe confessou as dúvidas sobre a existência de Deus, ele respondeu-lhe: E quem é que as não tem?
Excerto de “A Terceira Rosa”, romance de Manuel Alegre

25 de Abril de 1342. Morrre Bento XII, o Papa que disse ser um asno

Bento XII (Jacques Fournier, 1280-1342) morreu no dia 25 de Abril de 1342. Foi Papa de 22 de Dezembro de 1334. Era monge cisterciense (ramo dos beneditinos), pelo que escolheu no nome do fundador da ordem. Viveu em Avinhão. Em 1335, comunicou a decisão de regressar a Itália, a Bolonha, mas não chegou a concretizar a ideia.

Durante o seu pontificado promoveu reforma das ordens religiosas, nomeadamente os beneditinos e franciscanos, e, contra o espírito da época, recusou qualquer forma de nepotismo.

Consta que ao ser eleito, este Papa proclamou: “Acabais de eleger um asno”.

João Paulo II queria ser Estanislau I

S.to Estanislau (1030-1079)


Ao ser eleito Papa, Karol Wojtyla quis ser Estanislau I, lembrando o padroeiro da Polónia, a "glória da nação", que viveu entre 1030 e 1079. Mas a cúria romana insistiu num nome mais romano. E ficou João Paulo II, lembrando os três papas anteriores (João XXIII, Paulo VI e João Paulo I).
A revelação foi feita no livro “99 domande su Wojtyla” (“99 perguntas sobre Wojtyla”), do vaticanista italiano Marco Tosatti.


Marco Tosatti

Casca de grão morta ao vento


Casca de grão morta ao vento
Mas a luz canta eternamente
Clarão pálido sobre os pântanos
Onde o feno salgado murmura ao ritmo das marés.

Versos de Ezra Pound com que George Steiner termina o ensaio “No Castelo do Barba Azul. Algumas notas para a redefinição da cultura”. Ezra Pound refere-se ao ser humano e a si próprio, “na altura em que, mestre viajante do nosso tempo, se prepara para regressar”.

domingo, 24 de abril de 2011

24 de Abril de 1581. Nasce Vicente de Paulo

O francês Vicente de Paulo nasceu no dia 24 de Abril de 1581 e morreu no dia 27 de Setembro de 1660. Depois de uma fase de aventuras no Mediterrâneo, fundou a confraria do Rosário, para visitar doentes, libertou condenados às galés, por vezes colocando-se ele próprio no lugar do condenado, e fundou a Congregação da Missão, também conhecida por Padres Lazaristas. Tornou-se capelão da família real francesa e era considerado o “padre mais santo do século”, o grande padre da Contra Reforma em França.

Leão XIII, em 1885, declarou-o patrono das obras de caridade das Igreja católica. Meio século antes, em 1833, mais concretamente no dia 23 de Abril, Frederico Ozanam, estudante, fundou em Paris as conferências vicentinas, inspirando-se em Vicente de Paulo, para assistir aos mais pobres.

Ressurreição

Não ficaria nada bem celebrar a Páscoa em pleno Inverno.

Bento Domingues: Para que não haja indigentes entre nós

Texto de Bento Domingues neste Domingo de Páscoa  (24 de Abril de 2011)

No princípio havia o vazio



No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro.


João 20,1 

sábado, 23 de abril de 2011

Anselmo Borges: O penúltimo e o último

É imbecil dizer: eu sei que há Deus, eu sei que há vida para lá da morte; mas é igualmente imbecil dizer: eu sei que não há Deus, eu sei que tudo acaba na morte. Perante o último, está-se no domínio da crença razoável, não no domínio do saber racional. Há razões para acreditar e razões para não acreditar. De qualquer forma, o crente deve compreender o não crente, mas este também não pode atirar os crentes todos para o asilo da ignorância e da superstição.

Nos meses de Fevereiro e Março, participei como conferencista em vários colóquios e simpósios sobre o tema da morte, do além e do luto. Em todos, as salas de conferências estavam cheias - a última intervenção foi nos H U C, e as inscrições chegaram, segundo me disseram, a 865. Afinal, embora vivamos num tempo em que a morte se tornou tabu - disso não se fala -, as pessoas continuam a pensar nela. Será possível não pensar? Mesmo se ela é o impensável - diz-se que o filósofo Michel Foucault, nos seus últimos dias no hospital, terá sussurrado: "Le pire c'est qu'il n'y a rien à dire" ("O pior é que não há nada a dizer) -, é-o enquanto o impensável que obriga a pensar.
Claro que se pode sempre dizer que a morte é o mais natural - aliás, a língua portuguesa é pessimista: a palavra nada vem de res nata (coisa nascida) -, tudo o que nasce morre. A vida é como uma vela que se apaga. Mas lá está o ateu religioso Ernst Bloch, protestando: o ser humano não é uma vela. A morte humana não é redutível à morte biológica, pois o Homem é uma existência, autoconsciência, que antecipa, que pergunta ilimitadamente, também para lá da morte. Outra vez Bloch: o cadáver é a evidência, mas ninguém se contenta com o cadáver (por isso, reflectiu permanentemente sobre o enigma da morte, para dizer que o núcleo do humano é extraterritorial à morte - o que isso possa querer dizer é discutível).
Pedro Laín Entralgo, médico e filósofo, não se cansou de repetir: o saber científico é certo, mas refere-se ao que é penúltimo. O último (porque há algo e não nada?, porque existo precisamente eu?, há Deus?, há vida para lá da morte?, com a morte, acaba tudo?) é saber de crença, razoável, mas incerto. É imbecil dizer: eu sei que há Deus, eu sei que há vida para lá da morte; mas é igualmente imbecil dizer: eu sei que não há Deus, eu sei que tudo acaba na morte. Perante o último, está-se no domínio da crença razoável, não no domínio do saber racional. Há razões para acreditar e razões para não acreditar. De qualquer forma, o crente deve compreender o não crente, mas este também não pode atirar os crentes todos para o asilo da ignorância e da superstição.
Perante o último, fica-se na perplexidade. Porque lá está Wittgenstein: "Sentimos que, mesmo que todas as possíveis questões científicas tivessem recebido resposta, os nossos problemas vitais não teriam ainda sequer sido tocados". E: "Acreditar num Deus quer dizer compreender a questão do sentido da vida. Crer num Deus quer dizer ver que os factos do mundo não são, portanto, tudo. Crer em Deus quer dizer ver que a vida tem um sentido." Mas Pascal já advertira: "Incompreensível que haja Deus, e incompreensível que não haja; que a alma seja com o corpo, que não tenhamos alma; que o mundo seja criado, que não o seja, etc." Umberto Eco disse recentemente a João Céu e Silva [do DN]: "Creio que o homem é um animal religioso, que tem medo da morte e das coisas terríveis. É mais conveniente acreditar em Deus, e só os filósofos podem suportar a sua ausência". Será assim? Jürgen Habermas, talvez o maior filósofo vivo, confessou num discurso subordinado ao tema "Glauben und Wissen" ("Crer e saber"), pronunciado já depois do trágico Setembro de 2001: "A esperança perdida na ressurreição deixa atrás de si um vazio manifesto". Há aquela pergunta infinita: quem fará justiça às vítimas inocentes?
Habermas
Nestes dias de Páscoa, o que os cristãos celebram é que Jesus crucificado e morto não ficou encerrado no nada da morte, pois foi encontrado pela vida plena e eterna de Deus. Como confessou há pouco Bento XVI, muitos cristãos já não acreditam e andam confusos. Mas também é verdade que o cristianismo se mantém em pé ou se afunda segundo seja verdade ou não que Jesus é o Vivente em Deus.
Nisto, que é essencial e decisivo, o polémico teólogo Hans Küng está de acordo. Pergunta na obra recente "Was ich glaube" ("A minha fé"): "E se me tivesse enganado e na morte entrasse não na vida eterna de Deus, mas no nada? Se assim fosse - já o disse muitas vezes e estou convencido disso -, de qualquer modo teria vivido uma vida melhor e com mais sentido do que sem esta esperança".

Semana dos Seminários

Parece que se dizem agnósticos (ou o mais conhecido deles). Mas a simbologia católica (sim, mais católica do que simplesmente protestante ou...