sexta-feira, 30 de abril de 2010

Instituto Português de Santo António é o mesmo que Colégio Português de Roma?

Instituto Português de Santo António em Roma (IPSAR) é o mesmo que Colégio Português de Roma? Não, não é. Eu é que pensava que era. Um leitor chama-me a atenção para o erro. Entretanto já corrigi o título do "post" da entrevista do i.

O P.e Agostinho da Costa Borges é reitor do IPSAR (ver aqui). Já o reitor do Colégio Português é o P.e José Manuel Garcia Cordeiro (ver aqui). As minhas desculpas.

Sabe quem foi o primeiro ateu português?

No "Jornal de Negócios" de hoje (30-04-2010), suplemento "Weekend", a recensão de um livro de Luís Ferreira Rodrigues sobre o ateísmo em Portugal.

Registe-se um nome: Diogo Afonso. O primeiro ateu português era de Beja. Um alentejano.

Entrevista ao reitor do Instituto Português de Santo António

Entrevista do i (edição de ontem, 29-04-2010) a mons. Agostinho Borges (à esquerda), reitor do Instituto Português de Santo António, em Roma. A entrevista fala de Bento XVI, naturalmente, mas também da presença dos portugueses em Roma. E explica bem, finalmente, a expressão “fare il portoghese” (“fazer-se passar por português”), que eu pensava ter um sentido pejorativo. A explicação está no final da primeira página. A entrevista pode também ser lida on-line, aqui.


30 de Abril de 1834. O padre Lamennais publica “Paroles d’un croyant”

Lamennais (1782-1854), ordenado padre em 1816, começou por ser ultramontano (adepto do poder papal quando na França o poder político se opunha à influência de Roma, que vinha do lado de lá dos montes), mas tornou-se mais tarde propagador de um do catolicismo liberal, social, democrata, até.

Em 1830 fundou com Montalembert e Lacordaire o jornal “L’Avenir” (“O futuro”), defendendo a separação Igreja/estado e a liberdade de consciência, de imprensa e de religião. Estava mais de cem anos à frente do tempo eclesial.

Em 1831 zanga-se com o Papa Gregório XVI porque este não apoia o levantamento popular na Polónia. Lamennais achava que o Papa devia estar ao lado do povo e não dos príncipes. O Papa responde com a célebre encíclica “Mirari vos”, que condena as ideias do francês, embora não o nomeie.

A ruptura com a Igreja dá-se, no entanto, em 1834, com a publicação de “Paroles d’un croyant” (“Palavras de um crente”). A obra condenada pela encíclica “Singulari nos”, de 25 de Junho de 1834.

Em Paris, apoiantes de Lamennais lêem pela rua excertos da obra: “Jeune soldat, où vas-tu ? Je vais combattre contre les hommes iniques, pour ceux qu'ils reversent et foulent aux pieds, contre les maîtres pour les esclaves, contre les tyrans pour la liberté ; que tes armes soient bénies, jeune soldat!”

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Bispo do Porto quer que louvemos os vivos

Artigo de Isabel Stilwell no "Destak" de hoje (29-04-2010). Sobre D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, que recebeu ontem o Prémio Pessoa. O discurso do Bispo do Porto referido no texto pode ser lido aqui.

Um rabino e um bispo são convidados para um jantar...

Um rabino e um bispo são convidados para um jantar. O rabino aceita com a condição de que a comida seja pura (“kosher”). Durante a refeição, o bispo olha de soslaio para os pratos do rabino, diferentes dos demais comensais, e, a certa altura, não consegue deixar de perguntar com alguma indignação:

- Caro rabino, quando é que chegará o dia em que, finalmente, eu e o senhor poderemos comer da mesma comida?

O rabino responde no mesmo tem:

- Se Deus quiser, senhor bispo, será no dia do seu casamento.

No autoconhecimento o homem conhece melhor a Deus, diz Catarina de Sena

“No autoconhecimento o homem conhece melhor a Deus. Ao contemplar a bondade divina em si e no espelho, ele compreende que tem em si uma dignidade e uma indignidade. Dignidade por reconhecer-se imagem divina por dom gratuito da criação; indignidade por ver no espelho da divindade o pecado humano. Quem se olha num espelho vê as manchas do próprio rosto; o mesmo acontece com a pessoa que, com amor e fé, se contempla em Deus. A pureza divina mostra-lhe melhor os defeitos da própria face”.

Excerto de “O Diálogo”, de Catarina de Sena, pág. 51 (ed. Paulus, Brasil)

A visita do Papa é boa para a economia? Tanto faz, parece

Na revista "Visão" de hoje (29-04-2010).


29 de Abril de 1380. Morre Catarina de Sena

Catarina e o dominicano Raimundo de Cápua, que foi seu correspondente, confessor e biógrafo

Catarina Benincasa nasceu em Siena (ou Sena, na Itália) no dia 20 de Março de 1347 e morreu em Roma no dia 29 de Abril de 1380. Há 630 anos. Vigésima quarta filha de um casal de comerciantes, Catarina não sabia ler nem escrever, mas ditou mais de 300 cartas e um livro, “O Diálogo” (ver aqui), em que a sua alma dialoga com Deus.

Catarina desde os 15 anos (outros dizem 16) que integrou a Ordem Terceira de São Domingos, uma organização para leigos, vivendo em recolhimento. Passava longos dias sem comer. Talvez fosse mesmo anoréctica.

Quando a peste atingiu a Itália, distinguiu-se no cuidado aos doentes. Adepta do papado em Roma, lutou pelo regresso do Papa à cidade eterna, quando este estava em Avinhão.

Está sepultada na Basílica do Vaticano. É a única leiga proclamada “doutora da Igreja” (por Paulo VI, em 1970) e é co-padroeira da Europa (proclamou-a João Paulo II em 1999).

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ingrediente essencial da aprendizagem

“O ingrediente essencial para se ter amor pela aprendizagem é o mesmo que para o amor romântico, o amor ao país ou o amor a Deus: é a paixão por um tema específico. O conhecimento que é acompanhado por emoções prazenteiras fica connosco. Salta para a superfície e, quando invocado, desencadeia outras ligações na memória, criando metáforas, a vanguarda do pensamento criativo. Pelo contrário, a aprendizagem habitual desvanece-se rapidamente numa confusão de palavras, factos e narrativas. O cálice sagrado da educação liberal é a fórmula pela qual a paixão possa ser sistematicamente expandida, tanto na ciência como nas humanidades, a bem da cultura”.

Excerto de E.O. Wilson, “A Criação. Um apelo para salvar a vida na terra” (ed. Gradiva), pág. 169. Recenseado aqui.

Os pedófilos também são vítimas

O P.e Mário de Oliveira por vezes é um exagerado. Mas nesta entrevista tem razão pelo menos num ponto (penúltima resposta - para quem não quiser ler o resto). Pelo que tenho lido, é o primeiro a referir-se aos clérigos pedófilos como vítimas de uma má educação. Fazem vítimas porque foram vítimas primeiro. Entrevista no DN de hoje (28-04-2010).

Sabedoria de Deus na natureza

Pai e filho passeiam pelo campo. O pai procurar transmiti ao filho a fé num Deus bondoso e omnipotente, chamando a atenção para a maravilha que é a natureza. De repente, leva com uma cagadela de pássaro no seu chapéu.

- Olha, papá. Um pássaro sujou o teu chapéu.

- Como Deus é maravilhoso! Temos de dar graças ao Senhor por não ter dado asas às vacas.

Nova relação com o ambiente

Opinião da eurodeputada Maria da Graça Carvalho no "Público" de hoje.

Amizade e desejo de Deus em duas frases de Jacques Maritain

Não existe nada de melhor no mundo do que as maravilhosas amizades que Deus desperta e que são como o reflexo da gratuidade e da generosidade do seu amor.

...

Renunciar a guardar no coração o desejo de santidade, mesmo que ela só seja desejada muito longe, excessivamente longe, mesmo que ela esteja no mal, seria uma última traição para com Deus e para com o mundo.

Jacques Maritain (1882-1973)

Mísseis protegem Papa em Fátima

Notícia do "Correio da Manhã" de hoje (28 de Abril de 2010). O "Inimigo Público" (suplemento satírico do "Público" às sextas) vai inspirar-se nesta notícia, de certeza. Até a mim me surgem três ou quatro títulos entre o irónico, o satírico e o sarcástico sobre o assunto.

28 de Abril de 1973. Morre Jacques Maritain

Jacques Maritain nasceu no seio de uma família protestante, em 18 de Novembro de1882 e cresceu num ambiente republicano, liberal e anticatólico. Converteu-se ao catolicismo em 1906. Teve como padrinho de baptismo Léon Bloy (1846 – 1917), poeta e polemista católico. Morreu no dia 28 de Abril de 1973.

Maritain é um dos renovadores do tomismo no século XX. Defensor do “humanismo integral” (Humanisme integral” é uma obra de 1936), que inclui a dimensão espiritual – contra os humanismos seculares, inevitavelmente anti-humanos –, o seu pensamento está na origem da Democracia Cristã.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Mário Soares, o aborto e João Paulo II

Excerto da entrevista de Mário Soares à revista “Única” (“Expresso”), de 24 de Abril de 2010. O antigo primeiro-ministro e presidente da República, conta que dois ministros do seu governo, católicos, não concordaram com a legislação do aborto e como conseguiu uma audiência com o Papa.

Sete voltas p’rá muralha cair

De Tiago Guillul (o baptista Tiago Cavaco) e companhia, uma música que mete Bíblia (Livro de Josué) e rock, como só os protestantes de influência americana são capazes de fazer. Desculpe-se, enfim, a saudade dos anos 80 no vídeo de recursos simples, mas eficazes.

Os católicos, por muito que queiram fazer rock cristão, ainda não têm nem tradição nem paixão bíblica, nem pathos nem electricidade para tal.

Desejo de borboleta

Se não vieres,
Senhor,
Quem poderá curar
A ferida de te amar?
Sozinho com o cacho de um coração pesado,
Por toda a parte
Me queimará a ausência
Sem que jamais se consuma
Este desejo de borboleta nocturna
Pela estrela
Até quando, enfim, até à aurora
Consentir.

Gilles Baudry (Nantes, 1948 - ...)

27 de Abril de 1992. Morre o músico Olivier Messiaen

Messiaen em 1991, anotando chilreios

Olivier Messiaen (Avignon, 10 de Dezembro de 1908 – Clichy, 27 de Abril de 1992) foi compositor - um dos grandes compositores eruditos do séc. XX -, organista e amante de pássaros, cujo chilrear incluiu em algumas peças musicais. De 1932 até à sua morte foi organista titular da Igreja da Trinité, em Paris. Muita da sua música é de inspiração religiosa.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Os outros dois artigos de João Carlos Espada


João Carlos Espada dizia no artigo abaixo copiado que o texto concluía uma série de três. Procurei os outros. O primeiro, de 10 de Abril, intitula-se “A modernização conduz à secularização?” Parte do livro de John Micklethwait e Adrian Wooldridge, “God Is Back: How the Global Rise of Faith Is Changing the World" (Penguin, 2009), aqui referido, para dizer que a“crença cientista na secularização como produto inexorável da modernização” não é corroborada pelos factos. Em muitos sítios do mundo a emergência religiosa surge a par com o progresso económico. Ler mais aqui.

O segundo artigo, acima copiado, foi publicado no i de 17 de Abril de 2010, centrando-se na conversão de Anthony Flew (1923-2010) – com base na mesma razão que antes fazia com que o filósofo britânico se proclamasse ateu.

João Carlos Espada: "Cristianismo e modernidade"

Texto de João Carlos Espada, o último no i, no sábado passado, 24. Também pode ser lido aqui.

Gaffe obriga Londres a pedir desculpas ao Vaticano

Sempre achei piada ao povo inglês. Tem um sentido de humor só ultrapassado pelos judeus. Por isso a participação no concurso de ideias para a visita do Papa à Inglaterra talvez tenha de ser vista nessa perspectiva, tal como a eleição de Homer Simpson como melhor pai de família. Houve uma sondagem qualquer em que ele ficou em primeiro... O pior foi que a lista chegou à imprensa. A notícia é do "Público" de hoje (26-04-2010).

O Papa que pediu à Armada Invencível para atacar a Rainha foi Sisto V, lembrado aqui há dias. Como é sabido, a Armada perdeu e a Inglaterra passou a mandar no mundo durante três séculos. os britânicos deviam era agradecer.

A primeira missa no Brasil foi assim

Pero (ou Pedro) Vaz de Caminha lê a Pedro Álvares Cabral e Frei Henrique Coimbra a carta que escreveu a El-Rei D. Manuel

“Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o capitão de ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu e mandou a todos os capitães que aprestassem os batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou naquele ilhéu armar um esperável e dentro dele um altar muito bem corregido. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes, que eram todos ali. A qual missa, sendo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.

Ali era com o capitão a bandeira de Cristo, com que saiu de Belém, a qual esteve sempre levantada da parte do Evangelho.

Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho, e no fim dela tratou de nossa vinda e achamento desta terra, conformando-se com o sinal da cruz, sob cuja obediência viémos, o que foi muito a propósito e fez muita devoção”.

In Carta de Pero Vaz de Caminha sobre o descobrimento do Brasil.

26 de Abril de 1500. Primeira missa celebrada no Brasil

"A primeira missa no Brasil", 1861, quadro de Victor Meirelles de Lima, no Museu Nacional de Belas Artes (Brasil)

Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil em 22 de Abril de 1500. No dia 26 seguinte, domingo de Pascoela, Frei Henrique de Coimbra, um dos elementos da frota, presidiu à primeira missa.

Regressado a Portugal, o frade ainda andou por África e Índia, sendo depois nomeado bispo de Ceuta. Morreu em Olivença, que era a sede do bispado de Ceuta, em 1532.

"Dia sim, dia não", por Maria João Avillez

Crónica de Maria João Avillez na "Sábado" de quinta-feira passada (22 de Abril de 2010).

domingo, 25 de abril de 2010

A união faz a força pela criação

A Criação. Um apelo para salvar a vida na terra
E.O. Wilson
Gradiva
230 páginas

Este livro lê-se como uma grande carta de um cientista, notável biólogo da universidade de Harvard (EUA), a um qualquer pastor baptista. E resume-se a um apelo: vamos juntos trabalhar pela salvação da natureza/Criação.

O tom da obra de E.O. Wilson é ligeiramente desadequado ao panorama português, mas o livro é útil para ficar a conhecer mais de biologia por um grande divulgador. Se ninguém pode amar aquilo que não conhece – dizia Aristóteles – talvez após a leitura deste livro o leitor se torne adepto da conservação da natureza. Mas a desadequação ao panorama português vem do seguinte facto: E.O. Wilson fala para baptistas, que nos Estados Unidos são um grupo significativo e têm grande influência, principalmente no sul do país. Ora, os baptistas são criacionistas, tanto teológica como cientificamente. E tendem a ler as primeiras páginas da Bíblia o mais literalmente possível. A teoria da evolução através da selecção natural está excluída à partida.

É para esses que o cientista com grandes certezas quanto à teoria da evolução escreve. No fundo, diz: mesmo que discordemos sobre a origem da natureza, tenha sido Deus o criador ou tenha sido ela gerada por si mesma através de mutações aleatórias e da selecção natural das moléculas codificantes, podemos estar unidos na mesma causa.

Ora os católicos, ainda que haja excepções, já não sentem que o evolucionismo traga grandes complicações. É uma teoria científica. E a Bíblia não é um livro de ciência. É um livro sobre o sentido das coisas. Coisa que a ciência não pode dar. Daí que os católicos (mas também os anglicanos, os metodistas, os luteranos, de um modo geral) coabitem bem com o evolucionismo científico e o criacionismo teológico. São campos diferentes que explicam níveis diferentes da realidade. Não se espere da ciência que ela venha falar de Deus. Nem o contrário. Mas no essencial, a mensagem do livro vale: “Se a religião e a ciência se pudessem reunir sob o tecto comum da conservação biológica, o problema seria rapidamente resolvido” (pág. 14).

25 de Abril de 1595. Morre Torquato Tasso

Torquato Tasso nasceu em Sorrento, perto de Nápoles, no dia 11 de Março de 1544, e morreu em Roma, no dia 25 de Abril de 1595.

Teve uma vida atormentada, entre manicómios e conventos. Publicaram-lhe em 1580 a obra épica “Jerusalém Libertada”, que relatava o combate entre cristãos e muçulmanos, na primeira Cruzada. “Publicaram-lhe” porque a obra foi-lhe roubada e publicada sem autorização.

O que o mundo chama de mérito e valor
são ídolos que têm apenas nome, mas nenhuma essência.
A fama que vos encanta, vós altivos mortais,
com um doce som, e que parece tão bela
é um eco, um sonho, melhor que um sonho, uma sombra,
que a cada sopro de vento se dispersa e desaparece.

(“Jerusalém Libertada”)


Cheio de escrúpulos e mentalmente desequilibrado, sobreviveu graças a uma tença papal.

Dele são estas frases:

O amor é um desejo de beleza.

Perdido é todo o tempo que em amor não se gasta.

Com o DN e JN de hoje é oferecido "O Grande Livro dos Papas. De São Pedro a Bento XVI". Trata-se de um álbum para ir colando as fotografias que vão sair com o DN e o JN de segunda a sexta. Sendo um livro de capas duras e com boas explicações sobre alguns pontificados, vale a pena ficar com ele (é oferta na compra do jornal), mesmo que não se tencione coleccionar as imagens.

Bento Domingues: A Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos

sábado, 24 de abril de 2010

Deus mecanicista, geómetra, físico

Muito bem, parece-me, por vezes, que é menos triste não crer totalmente em Deus do que crer num Deus mecanicista, geómetra ou físico.

Georges Bernanos (1888-1948)

24 de Abril de 1585. É eleito Sisto V

Sisto V (nome de baptismo: Felice Peretti; 13-12-1521 –27-08-1590) foi papa entre 24 de Abril de 1585 e a data da sua morte. Não é o Papa da Capela Sistina. Esse é Sisto IV (1471-1484).

Sisto V, que tinha sido um excessivo conselheiro inquisitorial em Veneza, ao ponto de as autoridades pedirem a Roma que o tirassem da república do Adriático, tentou derrubar Isabel de Inglaterra. Nesse sentido, convenceu Filipe II de Espanha a empreender uma guerra contra os ingleses. A Armada Invencível, que nessa altura incluía navios portugueses (Portugal estava sob o domínio dos Filipes), perdeu.

A bula de excomunhão de Isabel I, em 1569, no pontificado de Pio V, já havia sido redigida pelo futuro Sisto V, tal como, provavelmente, a bula “Regans in Excelsis”, de deposição da rainha, que teve como efeito directo o fim da tolerância religiosa em relação aos católicos na Inglaterra.

Sisto V é o papa do obelisco na Praça de São Pedro.

Hans Kung pede reformas. Um concílio


Hans Kung, antigo colega de Ratzinger na Universidade de Tubingen, onde é professor emérito de Teologia Ecuménica, é uma das vozes mais críticas ao papado de Bento XVI e exige um novo concílio para salvar a Igreja católica. Por Hans Kung, no "Público".


Veneráveis bispos

Joseph Ratzinger, agora Papa Bento XVI, e eu éramos os mais jovens teólogos no Concílio Vaticano II, entre 1962 e 1965. Agora somos os mais velhos, e os únicos que continuam em plena actividade. Sempre entendi o meu trabalho teológico como sendo um serviço à Igreja Católica Romana. Por esta razão, por ocasião do quinto aniversário da eleição do Papa Bento XVI, faço-lhe este apelo em forma de carta aberta. Faço-o motivado pela minha profunda preocupação acerca da nossa Igreja, que se encontra na pior crise de credibilidade desde a Reforma. Desculpe-me ser na forma de carta aberta; infelizmente, não tenho outra forma de o contactar.

Apreciei imenso que o Papa me tenha convidado, a mim que sou abertamente seu crítico, para nos encontrarmos para uma amigável conversa de quatro horas, pouco após ter ascendido ao seu cargo. Este convite acordou em mim a esperança de que o meu antigo colega da Universidade de Tubingen poderia encontrar o seu caminho e promover uma contínua renovação da Igreja e uma aproximação ecuménica dentro do espírito do Concílio Vaticano II.

Infelizmente... ler tudo
aqui.

Nota: Está horrível o português, no mínimo. "Definai reformas"? "Aji de forma colegial"?


"O animal humano", por Anselmo Borges

Alexandre Ganoczy

"Qual é a constituição do ser humano para poder fazer o que faz e ser como é, no contexto da evolução?" Crónica de Anselmo Borges no DN de hoje (24-04-2010). Retirada daqui.

Tradicionalmente, no quadro da definição clássica do homem: animal racional - ela traduzia Aristóteles: o homem é "o animal que tem Lógos" (razão; melhor, linguagem) -, a filosofia e a teologia fixavam-se no "racional", esquecendo a animalidade. A cisão acentuou-se com Descartes, ao definir os humanos como "coisas pensantes" e "almas imortais", que contrapôs aos animais enquanto "máquinas".

Significativamente, Kant, que limitou os direitos à pessoa - os animais não têm direitos, nós é que temos obrigações para com eles -, não esqueceu a animalidade humana, empregando expressões como "Tiermensch" - o homem animal - e "Tierheit in Menschen" - a animalidade nos seres humanos. De qualquer forma, depois de Darwin, é inegável que a nossa espécie tem a sua origem em espécies pré-humanas. Por isso, já não é mais possível construir uma antropologia a partir "de cima": uma antropologia actual constrói-se a partir "de baixo".

No quadro da evolução, não se pode negar um parentesco entre os animais e o animal humano. Mas a transição entre eles foi quantitativa ou qualitativa? A sua diferença é de grau ou de natureza? Para entrar no debate, o melhor é comparar comportamentos nas suas semelhanças e diferenças, como faz o filósofo e teólogo Alexandre Ganoczy, numa obra inteligente, “Christianisme et neurosciences”.

Apesar de todas as semelhanças, não se pode ignorar as diferenças específicas que separam o homem do animal. Apontam-se exemplos.

O próprio Darwin, referindo-se à linguagem humana, falou do "poder quase infinitamente maior de associar os mais diversos sons e ideias". A linguagem duplamente articulada e a capacidade de discurso são algo que remete para a singularidade única do homem.

O prémio Nobel de medicina G. M. Edelman escreve que "somos os únicos animais capazes de falar, de modelizar o mundo superando o instante presente, de descrever os nossos estados anímicos, estudá-los, relacioná-los com os resultados da física e da biologia"; esta capacidade da "consciência de ordem superior" implica o poder de distanciar-se do mundo ambiente e de si, e é esta distância que nos permite criticar as nossas próprias acções.

É neste contexto que o neuropsiquiatra B. Cyrulnik fala de "transcendência", no sentido de superação, acrescentando que "não há transcendência animal, já que os animais se adaptam ao real". É neste distanciamento, próprio do homem, entre si e o que o rodeia e entre si e si mesmo que se realiza a liberdade, "tanto como poder de escolher como aptidão para tornar-se si mesmo", escreve Ganoczy, e também a aptidão para "elaborar culturas cada vez mais complexas e polivalentes".

Nem o desejo nem o prazer "são o próprio do homem, mas são-no a sua conjunção e o conhecimento da morte", escreve o neurologista J.-D. Vincent, que, evocando a sexualidade, chama a atenção para "o estranho face a face da copulação do homem e da mulher", significando uma personalização do sexo e criação de laços.

A. Damásio reconhece nos outros animais formas de consciência e um "proto-si", mas, como escreveu Jacques Lacan, "o poder de possuir o Eu na sua representação eleva o homem infinitamente acima de todos os outros seres vivos sobre a terra. Por isso, é uma pessoa".

Com estas e outras diferenças, a pergunta é inevitável: qual é a constituição do ser humano para poder fazer o que faz e ser como é, no contexto da evolução? Alguns continuarão a defender que a diferença é apenas de grau. O neurobiólogo J.-P. Changeux refere-se a uma evolução "que se pode julgar como qualitativamente nova das funções do cérebro do homem". O prémio Nobel de medicina J. Eccles, sublinhando a diferença qualitativa entre a linguagem humana e a linguagem dos símios, concluiu por uma descontinuidade ontológica. O neurobiólogo W. Singer não hesita em utilizar o termo "processo metafísico". Para outros, "emergência" e "fulguração" poderiam bastar.

O debate continua. Quem o trava são animais humanos. Esta é a diferença essencial.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Literatura judaica no Teatro D. Maria II

Ainda no "Ípsilon" de hoje:

O Teatro Nacional D. Maria II agendou uma sessão de leitura de de contos e poemas judaicos para a próxima terça-feira, às 19h, no Salão Nobre. A selecção dos textos desta Viagem pelos Grandes Temas da Literatura Judaica, que ficou a cargo de Lúcia Liba Mucznick, "procura dar uma imagem alargada das formas de expressão judaica na literatura, desde a mística ou o folclore de origem cabalística até à realidade actual no Estado de Israel", passando inevitavelmente pela Shoah. Os actores Ana Bustorff, Pedro Lamares e Rui Spranger farão as leituras.

Filme de Moretti sobre o Papa no fim do ano


Nanni Moretti em "Caos Calmo"

O Papa deprimido de Moretti deverá chegar às salas entre Dezembro de 2010 e Março de 2011. Vem no “Ípsilon” de hoje (suplemento do "Público" à sexta-feira). O filme fala de um Papa que no momento da eleição fica com dúvidas e é atendido pelo psiquiatra (Moretti). Deste filme já falei aqui.

O que a notícia do Ípsilon acrescenta é que Moretti submeteu o argumento de Federica Pontremoli e Francesco Piccolo ao presidente do Conselho Pontifício da Cultura, Gianfranco Ravasi. "Estava curioso para saber a opinião dele, mas não precisava de aprovação. O filme ter-se-ia feito de qualquer maneira", diz Moretti. Fez-se, aliás, sem a autorização da Santa Sé para que as cenas fossem rodadas no Vaticano. Moretti acabou por filmar no Palácio Farnese, a embaixada francesa em Roma, belíssimo edifício quinhentista projectado por Miguel Ângelo (onde o realizador encontrou "uma espécie de miniatura do Vaticano, um Vaticano mais sóbrio"), e na Villa Médicis, sede da Academia Francesa. A Capela Sistina, essa, teve mesmo de ser reconstituída nos estúdios da Cinecittà. Copiei a notícia daqui.

Se o filme “Habemus Papam” for tão bom como "Caos Calmo", que passou há dias na RTP2, é mesmo muito bom.

"O grupinho dos mais papistas que o Papa", por João Miguel Tavares

Crónica de João Miguel Tavares no "Correio da Manhã" de hoje (23-04-2010).

23 de Abril de 1616. Morre Shakespeare

Estátua no túmulo de Shakespeare, em Strantford.
Na pedra tumular (não a da imagem), está escrito:

Bom amigo, por Jesus, abstém-te
de profanar o corpo aqui enterrado.
Bendito seja o homem que respeita estas pedras,
e maldito o que remover meus ossos.

William Shakespeare nasceu no dia 23 de Abril de 1564, foi baptizado no dia 26 seguinte e morreu no dia 23 de Abril de 1616. Há muito mistério sobre a sua identidade do mais influente dramaturgo de sempre. E de vez em quando corre a "suspeita" de que era católico (ver aqui um dos elementos mais recentes sobre o assunto).

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O que Deus pode e não pode fazer?

Um certo devoto pedia todos os dias a Deus um carro. Como o desejo demorava a ser satisfeito, apesar do fervor da oração, resolve perguntar ao padre:

- Por que é que Deus não me dá um carro? É a minha oração que não é boa, ou é Deus que não me ouve?

O padre, com toda a paciência, responde que Deus não costuma satisfazer pedidos assim tão directos. Seria preferível pedir algo “mais espiritual”. As coisas mais materiais deviam ser conseguidas de outro modo. Passados uns dias, o padre encontra o devoto ao volante de um bom carro.

- Tem razão, senhor padre. Agora só peço coisas “mais espirituais”. Por exemplo, peço a Deus que perdoe por ter roubado este carro.

"Bento XVI, o mal-amado", por Esther Mucznik

Esther Mucznik escreve no “Público” de hoje (22 de Abril de 2010): “Não sou católica, mas vejo com preocupação a fragilização de uma instituição que é um dos pilares daquilo a que execramos chamar de «civilização ocidental». Porque não há vazios e o regresso da barbárie é sempre possível”.


As 27 proposições do “Dictatus Papae”, de Gregório VIII

I. Que a Igreja Romana foi fundada somente pelo Senhor.
II. Que só o Pontífice Romano é dito legitimamente universal.
III. Que só ele pode depor ou repor bispos.
IV. Que os seus legados, ainda que de grau inferior, num concílio, estão acima de todos os bispos, e pode contra estes pronunciar sentença de deposição.
V. Que o Papa pode depor ausentes.
VI. Que com os excomungados pelo Papa não se pode, entre outras coisas, permanecer na mesma casa.
VII. Que só a ele é lícito, segundo necessidade temporal, ditar novas leis, formar novas comunidades, converter uma fundação em abadia e, reciprocamente, dividir uma diocese rica e reunir dioceses pobres.
VIII. Que só ele pode levar as insígnias imperiais.
IX. Que todos os príncipes devem beijar os pés do Papa.
X. Que o seu nome deve ser recitado em toda igreja.
XI. Que este nome é único no mundo.
XII. Que lhe é lícito depor os imperadores.
XIII. Que lhe é lícito trasladar bispos de uma sede para outra, se lhe obrigar a isso a necessidade.
XIV. Que pode ordenar clérigos de qualquer igreja onde queira.
XV. Que um ordenado por ele pode presidir a outra igreja, mas não servi-la; e que o ordenado por ele não pode receber grau superior de outro bispo.
XVI. Que nenhum sínodo se chama universal se não for por ordem do Papa.
XVII. Que nenhum capítulo nem nenhum livro seja considerado como canónico sem sua autorizada e permissão.
XVIII. Que suas sentenças não sejam retratadas por ninguém e só ele possa revê-la.
XIX. Que não seja julgado por nada.
XX. Que nada pode condenar quem apela a Sede Apostólica.
XXI. Que as causas maiores de qualquer igreja sejam referidas à sede apostólica.
XXII. Que a Igreja Romana nunca errou e não errará nunca, segundo testemunho das Escrituras.
XXIII. Que o Pontífice Romano, uma vez ordenado canonicamente, é santificado indubitavelmente pelos méritos do bem-aventurado Pedro, segundo testemunho do santo bispo Enódio de Pavia, apoiado pelos muitos santos Padres segundo está nos decretos do Beato Papa Símaco.
XXIV. Que por ordem e permissão sua seja lícito aos subordinados formular acusações.
XXV. Que pode depor e restabelecer os bispos mesmo fora de reuniões de sínodo.
XXVI. Que ninguém seja chamado católico se não concorda com a Igreja Romana.
XXVII. Que ele pode eximir os súbditos da fidelidade para com príncipes iníquos.

22 de Abril de 1073. É eleito Gregório VII

Gregório VII, nascido Hildebrando (1020-1085), foi Papa de 22 de Abril de 1073 a 25 de Maio de 1085. Um dos mais influentes da história.

Quando foi eleito, por aclamação popular, este monge beneditino não era bispo, pelo que foi consagrado bispo no dia 30 de Junho de 1073. Uma vez Papa, continuou uma das maiores reformas da Igreja, que ficou para a História como reforma gregoriana (que na realidade já vinha de Leão IX, de quem o futuro Gregório VII fora conselheiro).

A reforma consistiu num reforço do poder papal sobre o poder temporal e o poder dos próprios bispos. O fim da simonia (venda de cargos eclesiásticos e favores divinos) e mais disciplina no celibato eram instrumentos da estratégia. Os princípios da reforma estão no “Dictatus Papae”, um documento de 27 proposições sobre o poder papal.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Roma e Brasília

Hoje foi notícia a fundação da cidade de Brasília, há 50 anos. Mas houve outra capital fundada neste dia. Roma, por Rómulo e Remo, no dia 21 de Abril de 753 a.C. Será que Kubitschek sabia disso? Na imagem, a vista que se tem a partir da cúpula da Basílica de São Pedro.

João Paulo II e Wanda Poltawska

Na revista "Focus" de hoje (21-04-2010), um artigo sobre a amizade de João Paulo II e Wanda Poltawska. E, já agora, uma foto de 1975, há muito conhecida, do cardeal de Cracóvia com a sr.ª Wanda. Não é propriamente novidade tal amizade. Gostava era de ler o livro em português com as cartas de ambos.



Por Ele marcharam os passos dos legionários

Um extraordinário poema, aqui numa versão incompleta, encontrado no meio de um texto sobre a globalização. Para quem tem uma visão cristã do mundo.

Por Ele marcharam os passos dos legionários,
As velas dos barcos por Ele se tinham estendido
Por ele os grandes barcos de Outono tinham luzido,
Por ele se dobraram as velas nos estuários.
(…)
Os passos de Dário tinham marchado por Ele,
Era por Ele que esperavam no fundo da Pérsia,
Era por Ele que esperavam numa alma dispersa,
Ele é o Senhor de ontem e de hoje.
E os passos de Alexandre por Ele tinham marchado
Do palácio paternal às margens do Eufrates.
E por Ele o último sol tinha luzido
Sobre a morte de Aristóteles e a morte de Sócrates.
(…)
As regras de Aristóteles tinham marchado por Ele
Do cavalo de Alexandre às épocas escolásticas.
E o ascetismo e a regra luziram por Ele
Das regras de Epicuro até às regras monásticas.


Charles Péguy. Excerto de “A Tapeçaria de Eva” (1913)

"Os atletas da contrição", por Fernando Gabriel

Uma reflexão estimulante sobre contrição, pecado, perdão e uma forma de masoquismo na Europa. De Fernando Gabriel, no "Diário Económico" de hoje (21-04-2010).

21 de Abril de 1142. Morre Pedro Abelardo

Pedro Abelardo (1079-1142), nascido Pierre le Pallet, foi um professor inovador, analisando os pontos de vista diferentes sobre uma mesma questão. Este tipo de método esteve na origem da escolástica e das sumas. Aparece na sua obra “Sim e não” (“Sic et Non”).

Em Paris, foi professor de Heloísa, sobrinha de um cónego de Notre Dame, e apaixonou-se pela aluna. Casaram-se. Como o casamento punha em causa a carreira académica – reservada a celibatários –, houve uma série de mal-entendidos que acabam com a castração de Abelardo. Por insistência deste, Heloísa torna-se feira e Abelardo monge beneditino. Em 1132, Abelardo escreve a obra “História das minhas calamidades” (“Histaria calamitatum mearum”), contando alguns pormenores da sua vida até à altura. Mesmo cada um seguindo a sua vida, continuaram a corresponder-se. As cartas são símbolo do amor romântico e revelam dois grandes intelectos – e o egoísmo de Abelardo.

Abelardo chegou a estudar com Anselmo de Cantuária (que também morreu num 21 de Abril, mas em 1109) e teve como grande opositor, no final da vida, Bernardo de Claraval, que fez condenar o ensino de Abelardo no Concílio de Sens, em 1141. Não foi a primeira vez, visto que Abelardo já tinha sido condenado no Concílio de Soissons, em 1121.

Na questão dos universais, Abelardo tinha uma posição intermédia entre os essencialistas e os nominalistas: os universais não são coisas, mas falar em universais não é falar de meras palavras - teoria do conceitualismo.

Já sobre a ética, escreveu que o mesmo acto pode ser executado pelo mesmo homem em diferentes momentos e, de acordo com a diferença da sua intenção, o acto pode ser uma vez bom e outra vez mau - a intenção como constituinte fundamental da moralidade.

Abelardo morre em 1142 e Heloísa em 1164. Em 1817 os restos mortais de ambos foram trasladados para um único túmulo no cemitério de Père Lachaise, em Paris.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Onde pôr os pés?

Possa Deus dar-nos a fé quotidiana. Eu não penso minimamente na fé que foge do mundo, mas naquela que o experimenta, o ama e que lhe permanece fiel, a despeito de todos os sofrimentos que ele contém por nós. Eu temo que os cristãos que só têm um pé na Terra, também não tenham mais do que um pé no céu.

Dietrich Bonhoeffer (1905-1945)

Semana dos Seminários

Parece que se dizem agnósticos (ou o mais conhecido deles). Mas a simbologia católica (sim, mais católica do que simplesmente protestante ou...